Preços diferentes de gás a granel geram críticas
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sábado, 23 de novembro de 2002
Benê Bianchi<br>Reportagem Local 
Indignação. Foi o que sentiu o síndico do condomínio Terra Roxa, localizado na região central de Londrina, Waldyr Martins, ao saber que pagava até 37% mais caro do que os condomínios vizinhos pelo gás a granel, distribuído pela mesma empresa, a Agip do Brasil. A descoberta se deu numa conversa informal, com a síndica de um prédio vizinho e despertou a atenção de Martins.
Ele fez uma pesquisa com quatro condomínios localizados num raio de até quatro quarteirões, todos clientes da Agip do Brasil e constatou que cada um pagava um preço diferente pelo mesmo produto. ''Na minha última compra, paguei R$ 2,6099 pelo quilo do gás. Na mesma ocasião, os outros condomínios pagaram R$ 2,55, R$ 2,0373, R$ 1,97, R$ 1,93 e R$ 1,90. Isso é discriminação'', reclama.
Inconformado, Martins ligou para o gerente da empresa, Ricardo Ogawa, e foi informado que a diferença de preço ocorre porque a empresa fornece os botijões e os acessórios (válvulas, encanamentos, etc) para o sistema de gás e isso teria um custo. Os equipamentos são cedidos em regime de comodato e, segundo o síndico, faz com que o condomínio fique atrelado à empresa, sem poder adquirir gás de concorrentes.
A explicação do gerente da Agip não satisfez Martins. Ele colocou tudo na ponta do lápis e concluiu que com a diferença do preço que paga pelo gás há um ano já quitou duas vezes os equipamentos cedidos pela Agip. ''Só que esses equipamentos não são nossos. Teremos que devolvê-lo ao final do contrato'', explica.
O síndico aguarda, agora, uma nova proposta da Agip para o condomínio Terra Roxa, para analisar se continuará o contrato com a empresa. Mas faz um alerta aos demais síndicos: ''Avaliem se vale a pena fazer esse tipo de contrato e se informem para não terem a surpresa que estamos tendo agora''. Nas várias contas que fez, o síndico ainda constatou que de outubro de 2001 a outubro de 2002 o gás fornecido pela empresa foi reajustado em 55,2%.
A Agip do Brasil informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não tem nada a declarar sobre o assunto.


