Preços de passagens aéreas dobram com menor concorrência
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sexta-feira, 22 de setembro de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os preços das passagens aéreas chegaram até a dobrar em alguns trechos depois que a Varig deixou de ser uma forte concorrente no mercado. Muitos descontos foram retirados, o que levou o custo a ficar mais caro para o consumidor. ''Os descontos desapareceram pela falta de concorrência, de aviões e de assentos'', disse o diretor financeiro da regional Paraná da Agência Brasileira de Agências de Viagens (Abav-PR), Geraldo Rocha.
Segundo ele, poucos trechos foram mantidos com tarifas promocionais. A falta de concorrência, que levou o mercado a ficar restrito basicamente à TAM e à Gol, levou a um aumento de 20% a 25% na venda de passagens em relação a 2005. Ele acredita que a situação melhore um pouco com a entrada de novas aeronaves no mercado até o final do ano.
A TAM informou que o último reajuste médio de preços oficial da companhia foi de 3,3% e ocorreu em outubro de 2005. Segundo a empresa a maior ou menor quantidade de tarifas promocionais depende da demanda. A Gol não retornou até o fechamento desta edição.
Com a presença menor da Varig no mercado, os vôos convergiram para a TAM e a Gol, o que levou a uma diminuição das tarifas promocionais. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a taxa de ocupação em vôos no Brasil em agosto de 2006 foi de 73% contra 68% no mesmo mês do ano passado. Em agosto de 2006, a taxa de ocupação da TAM foi de 74% contra 70% em igual período de 2005.
Ainda como base de comparação vale lembrar que em 2004 houve um crescimento de 12% no tráfego aéreo de passageiros por quilômetro. Em 2005, o aumento foi de 19,4% e no primeiro semestre de 2006 de 21,5%. Os números retratam o aumento da demanda em função da diminuição da concorrência.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos do Rio de Janeiro (Dieese-RJ), Jardel Leal, disse que houve queda de 43,3% na demanda de passageiros transportados por quilômetro da Varig de janeiro a agosto de 2006. O número de passageiros/km caiu de 6 bilhões para 3,4 bilhões.
''Quando duas empresas dominam o mercado, os consumidores acabam aceitando a elevação de preço'', disse. Ele lembrou que a menor presença da Varig fez o volume de passageiros por quilômetro da Gol crescer 53% de janeiro a agosto de 2006. Neste período, a empresa transportou 8,6 bilhões de passageiros por quilômetro. Na TAM o crescimento foi de 31% com 12,2 bilhões de passageiros por quilômetro de janeiro a agosto.
Hoje a Varig detém apenas 13% do mercado nacional. ''A concorrência está reduzida. Hoje temos um 'duopólio' com duas empresas que controlam o mercado e mantém um poder de imposição de preços muito forte'', afirmou.


