Preços de hortis já caem, mas produtor denuncia especulação
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segunda-feira, 24 de julho de 2000
Cláudia Lopes De Londrina 
Vários produtos hortifrutigranjeiros triplicaram de preço em Londrina desde a semana passada. Proprietários de sacolões alegam que o aumento se deve ao fato da maioria dos produtos estarem vindo do estado de Goiás. O gerente administrativo da Associação Norte Paranaense de Horticultores (Apronor), Paulo Roberto Zaparolli, contesta, dizendo que a entrada de legumes goianos forçou a queda dos preços no último sábado. Segundo ele, alguns donos de sacolões e produtores da região estão especulando por causa da geada.
Zaparolli contou que, no sábado, a caixa de pimentão baixou de R$ 10 para R$ 5. Antes da geada, custava R$ 3,5. O preço da caixa do tomate caiu de R$ 17 para R$ 10, sendo que há 15 dias custava R$ 6,8. O alface que passou de R$ 5 para R$ 10 já está custando R$ 7. Muitos produtos estão um pouco machucados por causa do frio mas a entrada no mercado de legumes de Goiás e verduras do Espírito Santo é que fez o preço começar a baixar.
Embora muitos produtos tenham acabado na região, alguns ainda estão sendo comercializados com folga como o repolho e a couve-flor, que vêm do município de Reserva e estão sendo vendidos no Ceasa por R$ 5 e R$ 6, respectivamente. Estes dois legumes mantiveram os preços de antes da geada, disse Zaparolli. A batata-doce e a mandioca também não estão em falta. As consequências da geada só vão aparecer na plantação de mandioca daqui um mês, quando a raiz começar a aguar.
Já a vagem, o pimentão e o tomate foram muito afetados pelo frio, desaparecendo na região, segundo Zaparolli. Só hoje amos conseguir fazer uma avaliação melhor do que sobrou nas plantações da região. A média diária de produtores que comercializam no Ceasa baixou de 320 para 220 às terças-feiras e quintas-feiras, principais dias de comercialização. Zaparolli acredita que os preços dos legumes devam voltar ao normal daqui a 60 a 90 dias e, das folhagens, em 50 dias.
O diretor de compras do Supermercados Viscardi, Ademar Vedoato, afirmou que não há especulação por parte dos revendedores de hortifrutingranjeiros. E afirma que os preços não triplicaram como afirmam alguns sacoleiros. Os aumentos variam de 60% a 100%. Mas tem produto que não subiu nada.
O dono do Sacolão Londrina, Orlando Duarte, garantiu ontem à Folha estar pagando três vezes mais pelo preço de produtos como a vagem, que subiu de R$ 10 para R$ 30. Segundo ele, o preço do repolho saltou de R$ 3 para R$ 7 e, o da couve-flor, de R$ 8 para R$ 18. Estou comprando pimentão, chuchu, pepino, berinjela, abobrinha e giló de Goiânia e Uberlândia, em Minas Gerais. Tudo pago à vista e em dinheiro, afirmou Duarte, que subiu o quilo da maioria dos produtos vendidos no sacolão de R$ 0,79 para R$ 0,98. As vendas caíram 25% desde a semana passada.
O gerente do Sacolão Maringá, Roberto Yoshii, também afirmou que os preços dos legumes triplicaram desde quarta-feira passada. Os preços estão exorbitantes. Mantive o valor do quilo dos produtos básicos como cenoura, tomate, batata e repolho em R$ 0,89, disse Yoshii, reclamando que as vendas diminuíram 50% desde a semana passada. Segundo ele, a caixa de 20 quilos de abobrinha aumentou de R$ 10 para R$ 15. Deixei de comprar muitos produtos.


