Rio de Janeiro A Petrobras anunciou ontem que vai reduzir os preços da gasolina e do diesel nos próximos dias, provavelmente até sexta-feira. Ao contrário dos comunicados habituais, a empresa não quis informar de quanto será a queda, limitando-se a dizer que será de apenas um dígito, ou seja, inferior a 10%. Os preços da nafta, do óleo combustível e do querosene de aviação também serão reduzidos.
Desde o início da guerra no Iraque, quando a cotação do petróleo começou a ceder, a Petrobras vinha mantendo os preços dos dois produtos acima das cotações internacionais. Assim, recuperava as perdas provocadas com a falta de aumentos no período pré-guerra, quando o barril do petróleo chegou perto dos US$ 40. A redução nos preços já era esperada pelo mercado, mas surpreendeu pela forma como foi comunicada.
O anúncio foi feito logo no início da manhã pela assessoria de imprensa, em um dia em que não houve expediente por causa do feriado de São Jorge, comemorado ontem na capital carioca. Não houve distribuição de nota com detalhes sobre os reajustes ou com a data para entrada em vigor dos novos preços, como ocorre normalmente.
Segundo a Petrobras, ainda não há uma definição sobre o porcentual que será aplicado no rebaixamento dos preços da gasolina e do diesel.
Especialistas e executivos do setor esperam uma redução entre 7% e 8% no preço da gasolina. A expectativa é que a medida represente uma redução de até R$ 0,08 no preço final do litro cobrado na bomba, considerando uma redução próxima dos 10% nas refinarias.
No caso de uma redução de 7,5% no preço da refinaria, como o mercado está esperando, a queda no preço na bomba será de R$ 0,06. Já numa posição mais pessimista, considerando uma queda de apenas 5%, a redução no preço final seria de R$ 0,04.
Para o diesel, o mercado trabalhava com uma redução superior a 10%, uma vez que há uma defasagem maior entre o preço praticado no Brasil e a cotação internacional do produto. Para o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, o diesel no País está cerca de 30% mais caro do que o vendido nos Estados Unidos.
A decisão de reduzir os preços foi tomada após confirmada a estabilização do câmbio e da cotação do petróleo em níveis inferiores aos verificados meses atrás. Quando a Petrobras anunciou o último reajuste destes produtos, em 27 de dezembro, por exemplo, o dólar valia R$ 3,54 e o petróleo tipo Brent, padrão mundial de preços, US$ 29,77. Ontem, o dólar fechou em R$ 3,00 e o barril negociado em Londres, em US$ 24,26.
Estes reajustes para baixo da gasolina e do diesel, os primeiros no governo Luiz Inácio Lula da Silva, provocaram reações favoráveis no mercado. O anúncio, feito no mesmo dia da manutenção da taxa de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), gerou a expectativa de queda de juros a partir do mês que vem.

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