Preços de eletroeletrônicos devem subir 10%
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terça-feira, 20 de janeiro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - A Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) anunciou ontem que os preços do setor devem ter um reajuste em torno de 10%. A entidade alega que o aumento compensa a alta de custos provocada pelo reajuste de 12% nos preços do aço neste mês. O presidente da Eletros, Paulo Saab, admite que, diante do reajuste, as vendas podem cair ainda mais.
No ano passado, o setor fechou com queda pelo terceiro ano consecutivo. Como a capacidade ociosa do setor está em torno de 30%, se não houver repasse de preços ''pode-se colocar em risco o parque industrial brasileiro'', afirmou. Em 2003, os preços do setor recuaram 0,49%, segundo dados divulgados pela Eletros.
Os preços dos aços planos, segundo Saab, já haviam tido um incremento de 63% no acumulado do ano passado. Já para os longos, a alta foi de 51%. Ele rebate o argumento usado pelas usinas siderúrgicas: ''Elas alegaram que os reajustes deveram-se à alta do dólar, mas a variação do dólar no período (jan/dez 2003) apontava inclusive decréscimo de 20%, o que indica que as usinas conseguiram ampliar suas margens de ganho no período.
Além do aço, a Eletros reclama dos aumentos nas áreas de ferro e derivados (51,6% de janeiro a novembro de 2003); da energia elétrica e matérias-primas; do custo da mão-de-obra (18% de reajuste do último dissídio); e da elevação da carga tributária.
A pressão de segmentos importantes da indústria por reajustes de preços desponta como uma nova ameaça à inflação neste início de ano. No entanto, a expectativa da área econômica do governo é de que a retração verificada na renda real do brasileiro em 2003, que passou de 15%, não dará espaço para que esses aumentos ocorram.
''Não há espaço algum para sancionar reajustes de preços significativos. Condições de renda e de consumo ainda estão em queda. Estamos comemorando indicadores de venda e produção do mês de novembro que mostram que a situação é menos ruim do que anteriormente'', afirma Cláudio Vaz, diretor do Departamento Econômico (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).


