Preços de carne de frango e de suínos devem subir até dezembro
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terça-feira, 14 de setembro de 2004
Nilson Brandão Junior<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - O crescimento da procura por produtos de alimentação vai ser acompanhado por aumentos de preços até o fim do ano. No setor de aves, a perspectiva é de reajuste de 5% para compensar ''pressões de custos'', como, por exemplo, de embalagens. Por restrição de oferta, a carne suína também deverá encarecer, conforme o aumento da demanda. No segmento de suínos, existe uma ''pequena disponibilidade'' para a oferta voltada ao mercado interno crescer 10%, alerta o diretor de Relações Institucionais da Perdigão, Ricardo Meneses. Segundo ele, o setor está com compromissos de exportação do produto, que está com a demanda forte na Rússia, o que rende preços vantajosos.
''A oferta está muito ajustada e, se a demanda for um pouco mais forte, com certeza o preço vai ficar um pouco mais alto que no ano passado'', comentou Meneses. Segundo ele, os problemas de oferta vêm ocorrendo nos últimos dois anos, quando os preços estavam deprimidos e a produção foi mais baixa, além do fato de exportações terem crescido.
O diretor de Marketing da Sadia, Gilberto Xandó, concorda com o cenário geral traçado por Meneses. O executivo da Sadia explica que a ''eventual alta'' de preços das aves e da carne suína vai ficar definida entre o fim de outubro e o início de novembro. Ele argumentou que a empresa também está se preparando para atender ao mercado interno. A questão é que os preços internos das commodities agropecuárias, como o frango e o suíno, geralmente são adaptados a partir das cotações nos mercados internacionais, explica o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.
O executivo da AEB diz que os exportadores que também atuam no setor interno tendem a ir até o limite do que o mercado doméstico pode pagar, em comparação com a rentabilidade que conseguem com as exportações. De janeiro a julho, o preço médio da tonelada de frango exportada aumentou 38% em dólar e a de suínos, 35%, segundo os dados da AEB. Em volumes, os crescimentos foram de 25,5% e de 35%, respectivamente.
Na segunda-feira, o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Carlos de Oliveira, havia indicado que não estava havendo ainda pressão de preços nas negociações de Natal. As vendas no período deste ano deverão superar a dos últimos três anos.


