A alta cotação do trigo no mercado internacional e o crescimento das importações do grão e de farinha estão provocando impactos negativos no bolso dos consumidores. Depois de um aumento de 10% no preço do pão francês registrado no Estado, agora é a vez do realinhamento nos custos dos biscoitos e do macarrão. As massas já tiveram seus preços reajustados entre 8% e 10%, enquanto os custos das bolachas terão aumento médio de 10% a partir do próximo mês. Além do trigo, houve aumento de preços de insumos como gordura hidrogenada, papelão (usado em embalagens), leite em pó, cacau e ovos (veja quadro).
''Os preços desses produtos estão aumentando desde maio e as indústrias estão sem aumentar os preços desde o ano passado'', afirma José dos Santos dos Reis, presidente do Sindicato de Biscoitos e Massas Alimentícias do Estado de São Paulo (Simabesp). Segundo ele, o realinhamento dos custos será feito em todo o País, variando apenas o índice aplicado porque há diferenças de custos entre as indústrias. No entanto, a entidade faz coro à campanha já iniciada pela cadeia produtiva do trigo junto ao governo federal pela eliminação da Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC), que é de 10%, para o grão.
O Brasil produz cerca de 3 milhões de toneladas de trigo, enquanto o consumo é de mais de 10 milhões de toneladas. ''A nossa produção não é suficiente e a Argentina (principal fornecedor brasileiro) suspendeu a venda de trigo para o Brasil e está negociando com outros mercados. Os argentinos estão incentivando a venda de farinha'', comenta Reis. Ele acrescenta que sem a TEC as indústrias poderiam comprar insumos de países como Estados Unidos, Canadá e Rússia. Atualmente, as importações destes locais têm custo elevado devido ao frete (que representa 20% do valor final do produto) e à incidência da tarifa (10%).
Importação - Segundo Mário Venturelli, diretor-presidente dos Moinhos Globo - indústria instalada em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) -, o preço da farinha de trigo foi reajustado há 25 dias em 15% e deverá ter outro aumento em 10 dias de mais 10%. ''Os moinhos estão processando trigo importado e a cotação do grão está muito alta no mercado externo, o preço é o mais alto em 15 anos'', justifica. Segundo ele, em anos anteriores a cotação era de, no máximo, US$ 150 a tonelada enquanto que, atualmente, já há negociações que atingem os US$ 280 a tonelada.
Diante deste panorama, Venturelli acrescenta que o aumento no custo da farinha é inevitável, até porque há um ano o produto não tinha seu preço reajustado. ''Neste período a queda do dólar ajudou porque estabilizou os custos'', diz. A previsão é que a partir do próximo mês os moinhos já estejam processando o trigo brasileiro. Os Moinhos Globo - que também trabalham com uma linha de alimentos semi-prontos como massas, nhoques e mistura para bolos - já realinharam o custo destes produtos em 15%.

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