Preços de alimentos devem pressionar menos a inflação
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2002
Agência Estado 
Brasília A pressão inflacionária provocada pela alta dos produtos agrícolas já está começando a ceder. Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Célio Porto, aferições do Ministério e de outros órgãos sinalizam que os preços recebidos pelos produtores no atacado já sofrem desaceleração. ''Os preços de alguns produtos, como o milho e o trigo, já estão com tendência de baixa, e isso só deve ser reforçado nos primeiros meses de 2003, quando entra a safra de grãos'', disse o secretário. ''Como os preços agrícolas demoram até 45 dias para se refletir na inflação, em março haverá sinais animadores no item alimentação.''
Dados do Ministério da Agricultura mostram que o preço do milho já caiu o equivalente a 7,5% no atacado, e a saca de 60 quilos era vendida a R$ 25,00 no Paraná. Já o trigo, que há dois meses chegou a custar R$ 700,00 por tonelada, está cotado a R$ 500,00. ''Além disso, o levantamento de preços ao produtor feito semanalmente pela secretaria de Agricultura de São Paulo também mostrou refluxo de preços.''
Para Porto, não há motivos para a agropecuária ser transformada em vilã da inflação, depois de ter recebido o apelido de ''âncora verde'' do Plano Real. Ele nota que uma análise da evolução do item alimentação no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE mostra uma alta acumulada de 82,29% desde o lançamento do Plano Real até novembro deste ano.
''Nestes oito anos, a alimentação só subiu menos do que o vestuário e ficou muito abaixo da habitação e da energia elétrica'', disse Porto. A habitação fechou o período com alta de 306,66% e a energia elétrica ficou em 260,05%. O IPCA acumulado do período é de 121,77%. Em 2002, no entanto, os alimentos já tiveram alta de 14,97% até novembro, só ficando, de novo, atrás da energia elétrica, que subiu 19,25%.
O secretário atribuiu a alta dos preços agrícolas à forte desvalorização cambial de 2002. ''No início do ano o dólar estava em torno de R$ 2,40, e hoje está em torno de R$ 3,70'', observou. Ele avaliou que a alta do câmbio estimulou a exportação de alguns produtos e encareceu a importação de outros, como o trigo e o arroz.


