Preços de alimentos devem causar 1ª deflação mensal
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de agosto de 1997
Agência Estado São Paulo 
Em plena entressafra de alguns produtos, preços de alimentos em queda estão contribuindo para que São Paulo registre este mês a primeira deflação mensal do ano e a menor desde 1957. A expectativa dos técnicos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo é que a comida fique em média 1% mais barata em agosto. Parte disso é efeito da maior oferta de grãos e de produtos industrializiados mas, segundo o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Omar Assaf, a retração no consumo é o principal motivo do recuo nos preços.
O custo do feijão no mercado varejista está despencando, como define Manuel da Costa, presidente da Associação Brasileira dos Cerealistas. Há cerca de 40 dias a saca de 60 quilos era vendida por R$ 40,00 a R$ 42,00. Esta semana está em torno de R$ 22,00 a R$ 24,00, afirma.
A boa oferta de carne bovina também está evitando altas no varejo. Até novembro ou dezembro, quando termina a entressafra, os preços vão ficar estáveis, prevê João Carlos Meirelles, presidente do Conselho Nacional da Pecuária de Corte. A tendência só deve mudar, se houver um frio violento.
Entre os produtos básicos, só há alguma alta nos preços do arroz e do óelo de soja. A oferta de arroz já está abaixo da demanda, mas o abastecimento, na opinião de Costa, só está prejudicado porque o governo não libera os estoques. Segundo ele, 70% desta safra já foi consumida.
A importação, estima o especialista, deve chegar a 1 milhão de tonelada. O arroz já foi importado e está em AGF no BB, afirmou. Não sei porque o banco não libera isso, acrescenta. Nos últimos 15 dias, informa, o arroz já ficou cerca de 15% mais caro e deverá ter seu preço reajustado em até 5%.
Apesar da boa oferta de soja, Costa prevê algum reajuste também no preço do óleo. Os produtores estão preferindo exportar a vender no mercado interno, explica. Isso já está resultando em pequenas altas no varejo, mas nada muito significativo.
A retração das vendas estimula ainda mais a competição entre os supermercados, o que, segundo ele, está freando os preços. A comida no varejo estava custando 0,52% menos na segunda quadrissemana do mês, segundo a Fipe. Para ele, esse recuo nos preços dos alimentos não deve se sustentar por muito tempo.


