Em plena entressafra de alguns produtos, preços de alimentos em queda estão contribuindo para que São Paulo registre este mês a primeira deflação mensal do ano e a menor desde 1957. A expectativa dos técnicos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo é que a comida fique em média 1% mais barata em agosto. Parte disso é efeito da maior oferta de grãos e de produtos industrializiados mas, segundo o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Omar Assaf, a retração no consumo é o principal motivo do recuo nos preços.
O custo do feijão no mercado varejista está despencando, como define Manuel da Costa, presidente da Associação Brasileira dos Cerealistas. Há cerca de 40 dias a saca de 60 quilos era vendida por R$ 40,00 a R$ 42,00. ‘‘Esta semana está em torno de R$ 22,00 a R$ 24,00’’, afirma.
A boa oferta de carne bovina também está evitando altas no varejo. ‘‘Até novembro ou dezembro, quando termina a entressafra, os preços vão ficar estáveis’’, prevê João Carlos Meirelles, presidente do Conselho Nacional da Pecuária de Corte. ‘‘A tendência só deve mudar, se houver um frio violento’’.
Entre os produtos básicos, só há alguma alta nos preços do arroz e do óelo de soja. A oferta de arroz já está abaixo da demanda, mas o abastecimento, na opinião de Costa, só está prejudicado porque o governo não libera os estoques. Segundo ele, 70% desta safra já foi consumida.
A importação, estima o especialista, deve chegar a 1 milhão de tonelada. ‘‘O arroz já foi importado e está em AGF no BB’’, afirmou. ‘‘Não sei porque o banco não libera isso’’, acrescenta. Nos últimos 15 dias, informa, o arroz já ficou cerca de 15% mais caro e deverá ter seu preço reajustado em até 5%.
Apesar da boa oferta de soja, Costa prevê algum reajuste também no preço do óleo. ‘‘Os produtores estão preferindo exportar a vender no mercado interno’’, explica. Isso já está resultando em pequenas altas no varejo, mas nada muito significativo.
A retração das vendas estimula ainda mais a competição entre os supermercados, o que, segundo ele, está freando os preços. A comida no varejo estava custando 0,52% menos na segunda quadrissemana do mês, segundo a Fipe. Para ele, esse recuo nos preços dos alimentos não deve se sustentar por muito tempo.

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