Preços das commodities dependem do petróleo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de julho de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
A demanda mundial pelos combustíveis renováveis trouxe novo fôlego aos agricultores brasileiros. Depois de anos de baixos preços e de quebras na produção, em função das intempéries climáticas, 2007 pode ser considerado como o ano da recuperação da agricultura. No entanto, é importante lembrar que altos preços - mesmo com boa produção - se deve, em parte, à bioenergia. Análises indicam que a alta é sustentável, mas devem ser observados dois fatores: movimentação da cotação do petróleo e programas de biodiesel, considerando lucro das usinas e consumo internacional.
O vice-presidente da Fimat (uma das maiores corretoras do mundo de mercado futuro agropecuário, com sede em Nova Iorque), Vinícius Ito, afirma que a demanda pela energia renovável foi criada, principalmente, por questões estratégicas. ''Os países estão tentando se desvencilhar da dependência do petróleo de Estados considerados não confiáveis, como as novas petro-ditaduras (países árabes e Venezuela)'', afirma. O primeiro passo neste sentido foi dado pela Alemanha, que foi o primeiro país a tornar obrigatória a mistura de óleos vegetais (o mais usado é o óleo de canola) ao diesel.
Além disso, ainda há pressões da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) pela demanda sustentável do combustível fóssil. A questão é a seguinte: a Opep não tem interesse em aumentar a produção petrolífera para garantir a atual sustentação dos preços altos. ''O argumento destes países é que os preços estão o dobro do que estavam há cinco anos e, por isso, não há motivos para aumentar a capacidade produtiva e, além disso, a energia renovável é supostamente deficitária'', explica Ito.
O déficit ocorre porque grande parte destes programas dependem de subsídios governamentais e, além disso, a energia gerada pelo combustível vegetal é menor do que a do combustível fóssil. ''Se os programas de biocombustível fossem deixados nas mãos do mercado talvez não fossem tão vantajosos porque dependem da logística e do custo de produção. Mas o aumento (de preços das commodities) é sustentável porque os países precisam liberar essa dependência da Opep e de todo o setor petroleiro'', salienta. Essa dependência está sendo quebrada, aos poucos, pelas determinações legais de alguns países de misturas de bioenergia ao combustível fóssil.
O programa americano prevê que daqui há dez anos, em 2017, 20% de todo combustível utilizado no país deve ser vegetal: a partir do etanol ou do biodiesel. No Brasil, a determinação da Agência Nacional do Petróleo é que a partir do próximo ano, o diesel tenha, pelo menos, 5% de óleo vegetal em sua composição. Diversos países europeus também já editaram normas semelhantes. Esses programas, em tese, garantiriam a demanda sustentável pelas commodities.


