Preços da soja recuam 19% no Paraná
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quarta-feira, 22 de abril de 1998
Guto Rocha 
ArquivoMarcha lentaCerca de 85% da produção está colhida Com um quadro de superoferta e demanda retraída, a comercialização da safra de soja este ano já está atrasada. Segundo o analista de mercado da cooperativa Cotriguaçu, Fernando Muraro Júnior, no mesmo período do ano passado, 55% da safra de soja já havia sido comercializada. Este ano, a comercialização da safra atinge apenas 35%, com atraso de 20%.
Os mesmos fatores que prejudicam o andamento da comercialização refletem nos preços do grão. Segundo Muraro, os preços recebidos pelos produtores do Paraná recuaram 19% em relação ao ano passado. Ontem, na região de Cascavel, a saca de soja era cotada a R$ 12,80, contra os R$ 15,80 no mesmo dia do ano passado.
O analista observa que a demanda na atual safra foi desaquecida pela crise econômica nos países do Sudeste Asiático, que praticam juros altos e enfrentam processo recessivo. O Japão, observou, vive um momento de deflação e consumo retraído. Estes mesmos países que hoje provocam retrações no mercado mundial da soja, na safra passada foram os responsáveis pelas explosões dos preços do grão, comentou.
Estas explosões de preço na safra passada fizeram com que a maioria dos produtores optasse pelo plantio da soja. Isto significa um acirramento pelo mercado de soja, comentou. A produção da América Latina na atual safra, segundo Muraro, ficará acima das 50 milhões de toneladas, com um acréscimo de 8,5 milhões de toneladas em relação ao ano passado. A produção americana deverá atingir nesta safra 74,2 milhões.
Muraro Júnior disse ainda que a oferta mundial este ano deve atingir 152,2 milhões para uma demanda de 145,6 milhões. Na safra passada, a produção atingiu 131,6 milhões para um consumo de 136,4 milhões. Segundo Muraro, os estoques do grão nas mãos dos países consumidores também são maiores nesta safra. O analista disse que na atual safra, os estoques de passagem somam 19,6 milhões de t de soja, contra os 13 milhões verificados na safra passada.
O que pode garantir uma estabilidade para o mercado de soja esta safra, é a questão climática e a demanda por óleo de soja em substituição ao óleo de palma na China e Índia. Pela primeira vez em 20 anos a produção de óleo de palma na Malásia sofre uma redução, que foi provocada pelo El ni¤o, comentou. Muraro observou que as exportações de óleo de soja dos Estados Unidos cresceram 62%. Segundo o analista da Cotriguaçu, as exportações americanas de óleo de soja entre setembro de 97 e março deste ano atingiram 868 mil t, sendo que 679 mil t (78%) foram destinadas para a China.


