A comercialização da safra 98/99 é a maior preocupação das lideranças agrícolas do Paraná, que se reuniram ontem em Curitiba, para debater o impacto da alta dos juros na Agricultura. De imediato não se pensa em reversão do plantio da safra de verão. Pelo contrário, havia consenso que a área plantada não será reduzida. ‘‘Mas teme-se a redução no volume de recursos destinados à Agricultura e a possibilidade de depreciação de preços diante das dificuldades de escoar a produção nos mercados externo e interno’’, afirmou Nelson Costa, assessor da Ocepar, que organizou o encontro.
Participaram a Faep, a Seab, o Banco do Brasil, a Fiep, o Conselho Regional de Economia e o Ipardes. As preocupações levantadas serão objetos de análise mais durante um seminário que será realizado em Curitiba, em novembro, que vai elaborar documento a ser enviado ao governo federal. ‘‘O objetivo é alertar as autoridades para que antecipem medidas de apoio à Agricultura’’, disse Costa.
Queda de renda A apreensão é com a queda na renda do agricultor prevista para 1999. O assessor da Faep, Carlos Augusto de Albuquerque, prevê que o mercado externo estará mais estreito e os países vão agredir violentamente para não perder exportações. ‘‘ Só a Argentina vai produzir 63 milhões de toneladas de grãos e o país mais próximo para desovar esse estoque é o Brasil’’, destacou. Albuquerque disse ainda que a elevação do desemprego e a recessão que será provocada com a alta dos juros vai resultar na redução da demanda e os preços dos produtos agrícolas poderão entrar em queda livre no mercado interno, emendou.
Para evitar a repetição dessa crise, semelhante ao que ocorreu em 1995, o diretor do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, defendeu a adoção de mecanismos de restrição às importações. Segundo ele, o país desembolsa acima de US$ 4 milhões por ano em importações de trigo, malte, leite em pó, algodão e outros produtos agrícolas, que podem ser reduzidas para evitar a depreciação dos preços no mercado interno.
Comercialização Ortigara defendeu ainda a necessidade de o governo adotar mecanismos que auxiliem a comercialização dos produtos como leilões eletrônicos, com a garantia do pagamento dos preços mínimos. E também a necessidade de se encontrar uma fórmula para que o mercado possa carregar o estoque de produtos e não deixar o produtor com o ‘‘mico’’ na mão.
Já o diretor de crédito rural da Superintendência do Banco do Brasil no Paraná, Bruno Schauff, procurou tranquilizar os participantes do encontro com a garantia dos recursos do crédito rural. Ele disse que as operações voltaram ao normal e no Paraná já foram aplicados 60% dos recursos previstos entre julho e setembro (R$ 412,7 milhões). No mesmo período do ano passado foram aplicados R$ 268,8 milhões. Admitiu que o volume de recursos anunciado, de R$ 10 bi pode ser reduzido, já que uma parcela desses recursos é oriunda da resolução 2148, a ‘‘63 caipira’’, operação que não está mais comprometida com a Agricultura.

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