Preços da cesta básica
têm alta recorde no Real
Mauro Zafalon
Agência Folha
Dorico da SilvaCarro-chefeSegundo
pesquisa do
Procon-Dieese
o feijão
teve alta
de 58,7%
somente no
mês de maio
Junho começa prometendo estabilidade nos preços dos alimentos que se mantiveram em ascensão durante todo o mês de maio. A Pesquisa do Procon-Dieese aponta o comportamento na última sexta-feira como exemplo. O custo da cesta básica foi a R$ 128,01 em São Paulo, o maior valor já registrado desde o início da pesquisa Procon-Dieese, em 1990. De julho de 94, início do Plano Real, até hoje, o aumento alcança 20,3%.
A contenção do custo da cesta básica no início do Real permitiu que os
consumidores, particularmente os de renda mais baixa, tivessem um aumento em seu poder aquisitivo. Os salários continuaram tendo reajustes na primeira fase do plano.
Nos últimos seis meses, quando os salários ficaram mais contidos e o
desemprego cresceu, o custo da cesta começou a disparar. Principal motivo: quebra de safra de alguns produtos agrícolas, provocada pelo fenômeno do El Ni¤o, o mesmo que assola o Nordeste.
Os 31 produtos que compõem a cesta Procon-Dieese custavam sexta-feira 13,3% a
mais do que os R$ 113 do final de novembro do ano passado, quando a cesta passou a subir mais rápido.
No período, os alimentos aumentaram 16,4%, e os artigos de higiene
pessoal, 1,1%. Os artigos de limpeza caíram 0,3%. O acompanhamento da
cesta básica é feito de segunda a sexta-feira em 70 supermercados de São Paulo.
O que os consumidores mais sentiram no bolso neste mês foram os aumentos do feijão (58,7%) e do arroz (15,7%), dois produtos que acompanham a
alimentação diária da maioria dos paulistanos.
Apesar de a variação acumulada de 20,3% no custo da cesta básica durante o Plano Real ter ficado abaixo dos 69% registrados pela inflação média do
mesmo período, alguns alimentos já mostram taxas explosivas de aumento. Um deles é o feijão, que neste ano já subiu 246%.
O aumento do custo da cesta básica indica que os consumidores de menor
renda vão começar a sentir agora o seu poder de compra ficar ainda mais
curto.
Isso já tinha ocorrido com a classe média nos primeiros anos de Plano
Real, mas devido aos reajustes nos setores de serviços, como aluguel,
planos de saúde etc.
Se para a classe média o custo de vida em geral perdeu fôlego, já que os serviços pararam de subir e até caíram, o mesmo não ocorre com a classe de baixa renda, cujo consumo é basicamente de alimentos. A oferta de feijão ainda demora para ser normalizada, enquanto a do arroz, outro produto com problema de abastecimento, está subindo de preço em plena safra. Ou seja, deve subir ainda mais na entressafra. A saída será a importação, mas o produto do exterior está mais caro do que o brasileiro. De qualquer forma, os alimentos seguraram a taxa de inflação até agora.
Enquanto o índice médio de inflação ficou em 69% no Real, os alimentos
subiram 44%, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que também coleta preços em São Paulo.
A taxa de inflação está estabilizada, na média, mas alguns dos principais itens de peso nos gastos da população dispararam no Real, afetando
principalmente a classe média.
O principal aumento foi de aluguel (580%). As tarifas públicas e os
serviços também cooperaram para diminuir a renda dos consumidores. Os custos com telefone foram reajustados em 313%, enquanto os serviços domésticos ficaram 345% mais caros. As matrículas escolares subiram 159%, e os planos de saúde, 142%.

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