Temperar o arroz e o feijão de todos os dias está cada vez mais difícil para o consumidor paranaense. De janeiro a julho deste ano, a cebola subiu 164%, em média, nos supermercados do Estado. No mesmo período, a batata subiu 92% e o tomate, 39%. Como esses dois últimos produtos integram a cesta básica, o aumento de preços deve ter impacto na inflação. As informações são do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).
Mais uma vez, a causa das expressivas altas foi o clima desfavorável às culturas. De acordo com o engenheiro agrônomo Maurício Lunardon, do Deral, a chuva comprometeu a produção de cebola do Nordeste, que deveria estar abastecendo o mercado nacional nesta época do ano.
A oferta reduziu e o quilo do alimento, em julho, passou a custar R$ 2,01, em média, no Estado. ''Já encontrei cebola a R$ 2,98 no supermercado. É o preço mais alto que já vi'', afirmou ele, que prevê um possível recuo nos preços a partir do final do mês, quando a produção de São Paulo entra no mercado.
No caso da batata, Lunardon explicou que a oferta diminuiu por causa da redução na área cultivada. ''Os baixos preços praticados nas últimas safras desanimaram os produtores de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, que plantaram menos'', afirmou. O clima desfavorável e o alto preço dos insumos também influenciaram a redução na oferta. Em julho, o produto custava R$ 1,33, em média, nos supermercados paranaenses.
A explicação para a alta do tomate foi a queda na produção devido ao clima aliado à chegada da entressafra. Tradicionalmente, a colheita é menor no inverno. Na região de Curitiba, por exemplo, os mais de dois mil hectares cultivados no verão diminuem para mil hectares na chamada safra de risco. O tomate foi encontrado, em média, por R$ 2,08 em julho.
Frente à alta dos preços, o consumidor está tendo que adaptar o cardápio. A auxiliar de serviços gerais Leonilda da Silva, 30 anos, desistiu de levar a cebola quando se informou sobre o preço. ''Vou temperar arroz só com alho'', disse ela, que percebeu aumento em vários outros legumes.
O comerciante Carlos Gonçalves, 59, se espantou quando entrou em um supermercado de Londrina e encontrou o tomate sendo vendido a quase R$ 5,00 o quilo. A solução adotada pelo consumidor foi levar o tomate rasteiro, vendido por R$ 1,18.

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