Preços controlados pelo governo puxam inflação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de fevereiro de 2002
Katia Michelle Equipe da Folha 
Curitiba - O transporte coletivo, a alimentação e os preços regulados pelo governo, como a gasolina, foram os principais vilões da inflação nos últimos 12 meses. O aumento dessas tarifas em Curitiba e região metropolitana foi maior até mesmo do que a inflação do período, calculada em 7,9% de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os produtos alimentícios tiveram uma variação de 10,16%. Os preços administrados de 13% e o transporte coletivo, 25%, sem considerar o mais recente aumento, de 8%, que passou a valer no último dia 3.
Os dados foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado Paraná (Senge-PR), que pela primeira vez se uniram para calcular o impacto do aumento das tarifas no bolso do consumidor. A conclusão dos dados não é das mais animadoras. O aumento pesou mais para a família de classe baixa, observa o economista do Dieese Cid Cordeiro. Ele explica que as famílias de baixa renda, ou mesmo as de classe média, tiveram redução do seu poder aquisitivo em função do preço das tarifas, que em alguns casos dobrou durante o período de um ano.
Uma família de quatro pessoas, por exemplo, que pagava R$ 45,28 pelo consumo de 201,41 quilowats/hora de energia elétrica em janeiro de 2001, em janeiro deste ano passou a pagar R$ 54,58. Uma variação de 20,52%. O gás de cozinha também representou alteração significativa de um ano para o outro: 90,41%. O que significa que essa mesma família pagava R$ 13,16 por um bujão de gás no ano passado e em janeiro deste ano passou a pagar R$ 25,06%.
O aumento foi verificado também no telefone fixo. Tomando como base a família de quatro integrantes que utiliza 250 pulsos, mais a assinatura básica, o preço da tarifa pulou de R$ 44,75 no primeiro mês do ano passado para R$ 49,52 este ano, o que representa uma variação de 10,65%.
Cordeiro observa que o aumento das tarifas foi maior do que o verificado no salário do usuário, que agora tem que desembolsar mais para consumir a mesma quantidade de produtos e tarifas que utilizava o ano passado. Essa realidade foi observada em quase todos os setores, representando uma variação total dos gastos de 13,72%, conclui o economista.


