Os preços no atacado dos EUA registraram queda recorde em outubro, surpreendendo analistas. O resultado mostra não somente ausência de pressão inflacionária, mas sinaliza risco de deflação na economia. O PPI (sigla em inglês para índice de preços ao produtor) caiu 1,6% no mês passado, a maior queda desde quando o governo norte-americano passou a medir o indicador, há 54 anos. A expectativa dos analistas era de até 0,4%.
A queda recorde traz uma boa e uma má notícia. A boa é que ela indica que não há sinais de pressão de preços e que, portanto, o Fed poderá reduzir a taxa de juros sem preocupar-se em não alimentar a inflação. A má é que essa queda de preços no atacado pode ser resultado de uma forte recessão, caso a tendência se confirme quando for divulgado o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês). Uma queda forte dos preços ao consumidor jogará a economia no campo da deflação. Ou seja, numa espiral de queda de preços que só pode significar uma coisa: recessão. O mecanismo é o seguinte: aumenta o desemprego, cai a confiança e as pessoas consomem menos. A queda do consumo, então, derruba os preços. (AF)

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