Os baixos preços paralisaram os negócios com café no Paraná. No ano, as cotações recuaram em média 54%. O café bebida dura, tipo 6, passou de R$ 240,00 cotados em janeiro, para R$ 110,00, preço de referência praticado ontem. ‘‘Há pelo menos 10 dias que não realizamos negócios em Londrina’’, afirma o corretor do Escritório Marrequinho, de Londrina , Geraldo Ferreira de Souza.
Souza observa que os produtores estão preferindo financiar a retenção do café, através dos recursos disponibilizados pelo governo federal para a pré-comercialização, do que vender o produto no mercado físico. O corretor explica que, através do financiamento, os cafeicultores garantem R$ 105,00/saca de 60 kg, com juros de 9,5% ao ano. O dinheiro é financiado por 180 dias, prorrogáveis por mais 180 dias. ‘‘Isso dá fôlego para que o produtor espere por uma melhora nas cotações. E se os preços caírem mais, ele garantiu os R$ 105,00’’, comenta.
Mas no curto prazo, segundo Souza, existe expectativa de melhora nas cotações. O corretor explica que a retenção por parte dos produtores impediu que os exportadores de café comprassem o produto para cumprir contratos de embarque que vencem entre 20 e 22 de setembro. ‘‘Os exportadores que estiverem descobertos, ou seja, que não tiverem café para cumprir seus contratos, virão para o mercado, podendo até melhorar os preços’’, analisa.
O vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Paraná, Devanil Vicente Ferreira, afirma que se o governo acatar a solicitação do Comissão Nacional do Café (CNC) da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e prorrogar as dívidas de custeio que nos próximos 40 dias, os produtores terão fôlego ainda maior para aguardar uma reação do mercado. ‘‘Por outro lado, se o governo não abrir mão do pagamento das dívidas no prazo, os preços podem cair ainda mais, uma vez que muitos produtores terão de vender café para saldar as dívidas’’, diz.
Segundo Ferreira, os exportadores também não estão fixando contratos por causa dos baixos preços futuros projetados no mercado internacional. Segundo ele, apesar de a Bolsa de Nova York ter fechado em alta ontem, os preços não têm atraído os exportadores. Ferreira diz que a saca de café tipo exportação fechou em US$ 138,75 (bruto), que descontados taxas portuárias e impostos, cai para US$ 111,00 (líquido). ‘‘Hoje (ontem) seria inviável fixar contratos de exportação, para compensar o café teria que estar cotado pelo menos a US$ 150,00/saca’’, diz.

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