A queda de preços verificada nos mercados da soja e de milho tornou lenta a comercialização destas commodities. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) estima que pelo menos 25% da safra de soja (2,5 milhões de toneladas) ainda esteja disponível para venda. No caso do milho, 27% da produção da primeira safra (2,04 milhões) e 36% da segunda safra (1,35 milhão) também não foram vendidos.
Para Norberto Ortigara, do Deral, a situação atrapalha o custeio da nova safra de verão porque inibe a transformação de produto em receita. Outro fator dificultante é o aumento de 15% a 25% registrado no preço dos insumos. A soja, que chegou a ser cotada por até R$ 50,00 ao produtor, fechou ontem a R$ 33,00 por saca.
A analista de mercado Odinéia Santos, da Safras e Mercados, confirmou que os negócios estão lentos. ''Produtores que perderam a oportunidade de vender soja no pico de alta seguram o produto na expectativa de que os preços se recuperem'', explicou.
A curto prazo, ela acredita que essa possibilidade seja improvável. A conjuntura de preços deve ficar melhor definida a partir de setembro, quando começam a se consolidar os resultados da safra norte-americana.
Diante da possibilidade dos preços não se recuperarem com rapidez, o Deral alerta aos produtores que o plantio do milho pode ser um bom negócio na safra que começa a ser cultivada.
''Como a área está diminuindo, a oferta mais curta e as exportações podem melhorar os preços. Além disso, a rotação de culturas é tecnicamente recomendada '', afirmou Ortigara. Para alcançar a receita obtida pela soja, o milho deve ser plantado com alta tecnologia.

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