O produtor paranaense que apostou no milho safrinha na safra 2012/13 não está satisfeito. O aumento da oferta mundial, estimativa de estoques finais elevados e incremento da produção nacional - apesar de reduções na produtividade da segunda safra – fizeram com que os preços despencassem nos últimos meses. Com isso, a comercialização segue lenta em relação aos anos anteriores, com 38% do produto da safrinha negociado até o dia 14 de outubro, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab). No histórico, a média é de 65% vendido nesse mesmo período.
A situação desfavorável fez o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, encaminhar essa semana aos ministérios da Agricultura, Casa Civil, Desenvolvimento Agrário, Planejamento e Fazenda, além da bancada de parlamentares federais do Paraná, o pedido de apoio para a comercialização de 2 milhões de toneladas do grão.
Para a entidade, esse apoio é fundamental para não desestimular os produtores no plantio da cultura na próxima safra de inverno. O economista da Faep, Pedro Loyola, explica que o agricultor pode acabar escolhendo, na segunda safra 2013/14, apostar no trigo (se a região for mais fria) ou na soja, ao invés do milho. "Já há produtores especulando em plantar a soja. O problema é que seria um segundo plantio da oleaginosa no mesmo ano, sem rotação de cultura, o que pode gerar problemas fitossanitários lá na frente, criando uma resistência contra doenças e pragas", salienta.
Os preços do milho também não estão nada atrativos. Se em outubro do ano passado a saca de 60 kg da commodity foi comercializada, em média, a R$ 24,33, em setembro desse ano o valor é de R$ 17,77, queda de 26,6%. O preço atual está abaixo do custo operacional de produção, calculado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em R$ 20,41 por saca e abaixo do preço mínimo de garantia fixado em R$ 17,67. "O preço mínimo estipulado pelo governo não cobre os custos de produção. Além disso, o governo demora para atender o Paraná em comparação com outros estados", salienta Loyola.
Para auxiliar no escoamento dos 2 milhões de toneladas, a Faep sugere ao governo incluir o Estado nos leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) com apoio de 1 milhão de toneladas, conforme os leilões já realizados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Sugere apoiar também a comercialização de mais 1 milhão de toneladas com leilões de Prêmio para Escoamento do Produto (PEP), além de rever, na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), o preço mínimo de R$ 17,67 estabelecido para a região Sul. "Precisamos escoar esse milho porque os produtores estão pensando na próxima safra. É um momento de decisão, já que muitos já estão fazendo o planejamento para a safra de inverno", complementa o especialista da Faep.

Escolha
No comparativo entre qual commodity apostar para a safra 2013/14, a especulação entre os corretores do mercado coloca o trigo em primeiro lugar, seguido da soja e, por fim, o milho. O trigo encabeça a lista pela probabilidade da importação do produto argentino ser prejudicada devido à quebra de safra, o que daria força ao grão brasileiro. A soja está na sequência porque seus preços seguem interessantes, na casa dos R$ 60 a saca. O milho fica por último devido à alta oferta no mercado.

Imagem ilustrativa da imagem Preços baixos atrasam venda do milho safrinha
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