A inflação é prejudicial à toda a sociedade, mas os seus impactos são mais sentidos pelos trabalhadores de baixa renda, que representam cerca de 70% da sociedade brasileira. ''Quanto menor a renda, maior o impacto que a inflação provoca no bolso dos trabalhadores'', avalia o economista Azenil Staviski. Ele explica que o índice é definido através de uma média genérica formada a partir dos preços de todos os bens e serviços.
O economista observa que nos últimos meses os preços dos alimentos foram os que mais subiram, o que incide diretamente na renda dos trabalhadores de baixa renda uma vez que a maior parte dos seus gastos é com a alimentação. Ele acrescenta que um dos efeitos da inflação é que os estabelecimentos comerciais passam a remarcar os preços dos produtos de forma desorganizada. Como exemplo, ele cita o custo do arroz tipo 1 que, em São Paulo, variou 41,44% entre o preço mínimo e o máximo.
''Isso é ruim porque alguns trabalhadores têm dinheiro contado para o aluguel e passam a gastar mais com a alimentação. E, em muitos casos, estes trabalhadores não têm tempo ou recursos para pesquisar e comprar melhor'', comenta Staviski. A partir daí, o que ocorre é que esta fatia da população acaba sendo submetida aos efeitos da inflação porque continuam fazendo suas compras em estabelecimentos comerciais mais próximos das suas casas, que oferecem prazos mais longos mais também juros mais altos.
Outro comportamento típico da maioria deste tipo de consumidor - o crediário e os pagamentos a prazo - também ficarão menos vantajosos porque a taxa de juros vai subir mais. ''A inflação prejudica os trabalhadores porque nos últimos anos o salário mínimo teve um ganho real, mas se o índice voltar a subir esse ganho real é perdido e os consumidores perdem poder de compra'', comenta. (F.M.)

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