Preços altos não impedem compras de inverno
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sexta-feira, 14 de maio de 2004
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
Desde que a temperatura começou a cair os lojistas de Londrina passaram a vender mais roupas e calçados. Até aí, nada de novo, pois o frio sempre exige mais agasalho e, em alguns casos, até a renovação do guarda-roupa. A diferença é que este ano apesar da queda no poder aquisitivo da população os consumidores estão gastando mais com a indumentária de inverno que também subiu de preço.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Londrina e região (Sivepar), Marcos Koslowski, o custo de produção das roupas aumentou cerca de 20%, este ano, devido ao reajuste salarial dos funcionários e da valorização dos insumos importados como, por exemplo, os sintéticos. Os calçados também foram majorados em comparação a 2003.
De acordo com Airton Manoel Dias, diretor-executivo da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), o aumento seguiu a inflação que, conforme o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), foi de 9% em 2003. ''Uma bota sempre será mais cara que uma sandália porque necessita de mais material e mais tempo para ser confeccionada. O impacto diante das vitrines é normal quando a nova coleção chega às lojas porque o consumidor nem sempre leva em conta esses fatores'', explicou.
A decepção dos lojistas com o inverno de 2003 repercutiu diretamente na produção. Koslowski, por exemplo, que é fabricante de camisas, vendeu 30% a menos de sua produção. ''O problema é a recessão que todos vêem menos o governo. Não temos como fomentar o consumo enquanto os salários estiverem tão baixos'', justificou o empresário.
A Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) não tem números globalizados do mercado interno mas afirma que o mercado interno está bastante retraído. Segundo a assessoria de imprensa da Abicalçados, o brasileiro compra 2,66 pares de sapato por ano, enquanto nos Estados Unidos (EUA) a média é 7,5. É graças, principalmente, aos norte-americanos que a indústria nacional sobreviveu nos últimos anos. A quantidade de calçados que o Brasil exporta é cada vez maior e isso compensa a crise no mercado interno.
Em 2003, o País fabricou 665 milhões de pares de sapatos dos quais 188 milhões foram direto para o exterior. ''Isso é resultado da política comercial do governo que incentiva a exportação e esquece que 70% a 80% dos fabricantes dependem, quase exclusivamente, do consumidor brasileiro'', reclamou Dias que, assim como a Abicalçados, não tem números para respaldar comparações.


