Rio de Janeiro - A disparada do preço do álcool nos últimos meses já produz efeitos diretos no consumo. De acordo com o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Allan Kardec Filho, houve redução de 25% na demanda por álcool em janeiro, na comparação com dezembro. ''Desde outubro, o preço do álcool vem subindo, e o consumidor que tem carro flex tem recorrido mais à gasolina'', afirmou, durante divulgação dos dados relativos ao mercado de combustíveis.
Kardec destacou que, a partir da segunda quinzena de março, espera-se recuperação do consumo do álcool, à medida em que os preços comecem a cair com a colheita da safra de cana-de-açúcar. Levantamento da ANP mostra que o preço do álcool combustível subiu 13,96% em 2009. A gasolina teve variação bem menor, ficando 1,23% mais cara. Já o óleo diesel barateou, apresentando redução de 6,17%, segundo pesquisa feita em postos de combustíveis de todo o país.
O consumo de combustíveis no país cresceu 2,7% em 2009, apesar dos efeitos da crise econômica na primeira metade do ano. Ao todo, foram consumidos 108,8 bilhões de litros. Assim como nos anos anteriores, o consumo de álcool hidratado (o álcool que não é misturado à gasolina) apresentou a variação mais significativa. A demanda de 16,4 bilhões de litros significou um incremento de 23,9% em relação a 2008. Se for levado em conta o consumo de álcool anidro, o álcool registrou consumo de 22,8 bilhões de litros, avanço de 16,5%.

Importação
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, informou ontem que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) retirou de pauta a discussão sobre a redução da alíquota do Imposto de Importação do etanol e que, por isso, a alíquota de 20% será mantida até junho. O ministro disse que ''é bem provável'' que a alíquota seja reduzida para zero a partir de julho.
Segundo Stephanes, a redução da alíquota, se votada agora, não teria influência no mercado doméstico. Ele explicou que a safra de cana começa a ser colhida em março e até que alguma empresa importe o etanol o país já teria álcool suficiente. Ele disse acreditar que o mercado de álcool já deve se regularizar a partir de abril e que, com isso os preços devem baixar.

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