Preços agrícolas melhoram em maio
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sexta-feira, 17 de janeiro de 1997
Oswaldo Petrin 
ArquivoPrevisão otimistaO empresário Dimarzio: cenário favorável a partir de maio, com reação dos preços agrícolas. Razões são muitas A queda dos preços agrícolas, embora acentuada, tem vida curta, basta vislumbrar o que o mecado reserva após a colheita, quando diminuir a pressão da oferta. O presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), José Amauri Dimarzio, apontou ontem pelo menos três fortes indicadores para reação dos preços do milho e da soja a partir de maio. Até lá os agricultores vão amargar preços baixos mas se souberem dosar a oferta, poderão administrar esse período adverso de mercado e desfrutar de uma nova fase. A previsão é de que no segundo semestre o cenário será completamente diferente e os preços serão compensadores.
Dimarzio apontou o aumento da demanda dos preços internacionais causados pelo inverno rigoroso na Europa e Estados Unidos; expansão da demanda interna motivada pela reversão da avicultura e suinocultura, após o ciclo atual de preços baixos; e possível queda na produção consequente de excesso de chuvas no Centro-Oeste e seca já caracterizada no Rio Grande do Sul. É ilusório achar que as chuvas constantes no Centro-Oeste representem apenas benefícios para as plantas, em algumas regiões há excesso de umidade, informou.
A preocupação dos produtores com a queda de preços será um dos temas da reunião de hoje do Fórum Nacional da Agricultura. Outros ítens são custos financeiros, excesso de tributação, burocracia e barreiras à exportação. José Amauri Dimarzio coordena o grupo de insumos, um dos mais fortes, no Fórum Nacional da Agricultura. Ontem ele preparava o documento que o Fórum deve apreciar hoje: Verifico que as dificuldades são as mesmas apresentadas nas reuniões anteriores, disse. Mas ele acha que é preciso quebrar a inércia e conseguir avançar em algumas melhorias. Cita como exemplo que a securitização não se consumou para muitos produtores e que aqueles que conseguiram renegociar já têm que se preparar para o resgate da primeira parcela.
Preço do milho,
ao produtor, vai
chegar aos R$ 7,00
em maio/junho
Dimarzio observou que as margens de lucro estão se estreitando para todos os segmentos e que não há para quem repassar as altas. Portanto, é preciso insistir na redução dos custos de produção. O governo tem uma forte participação nesse campo.
Os custos dos serviços têm aumentado muito - segundo Dimarzio - enquanto os preços agrícolas continuam inalterados. O presidente da Abrasem cita, entre outros exemplos, o transporte, tarifas do governo, taxas de impostos sobre a produção, mão-de-obra, assistência médica e outros.
Os setores agrícola, fabricante de insumos e a agroindústria em geral vêm assimilando as altas dos demais segmentos sem transferir custo para os consumidores. Não temos mercado para transferir estes aumentos de custos, disse Dimarzio, referindo-se tanto às dificuldades das indústrias de insumos como o setor primário e a outra etapa do processo que são as agroindústrias de transformação.
Perguntado sobre a forma de contornar a crise, o presidente da Abrasem disse que a principal estratégia é administrar custos. Enxugar gorduras, disse, ressalvando, no entanto, que insumos e agricultura não têm mais de onde tirar gordura - isto já foi feito até o limite, segundo Dimarzio. O jeito agora é tirar aquela carne que está bem rente ao osso - disse - para manter-se coerente na linguagem figurada.


