O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu para 0,44% em maio, contra 1,13% em abril, segundo dados divulgados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Índice de Preços por Atacado (IPA) teve variação de 0,18%; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), de 0,41%; e o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), de 2,11%.
A queda no índice entre os dois meses resultou principalmente da redução dos preços de produtos agrícolas no atacado, cuja variação passou de 3,80% em abril para -0,64% em maio. No ano, o IGP-DI já acumula alta de 3,24%.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney Cota, prevê uma queda ainda maior para o índice em junho, que deverá registrar variação de 0,2%. O argumento para o otimismo é que os preços dos produtos agrícolas no atacado e da alimentação no varejo devem continuar em queda, puxando o índice para baixo.
‘‘A chuva não foi suficiente para reduzir o problema da energia elétrica, mas está ajudando na queda dos preços dos produtos agrícolas’’, disse. Cota avalia também que, caso o dólar prossiga cotado em até R$ 2,40, os produtos industriais deverão manter estabilidade de preços. Ele projeta um IGP-DI entre 5,5% e 6% neste ano.
O economista explicou que já existe uma pressão da alta do dólar sobre os preços, mas não na intensidade do aumento da cotação da moeda. ‘‘O repasse é tímido e concentrado nas commodities’’, explicou. Em maio, a valorização do dólar teve impacto no atacado, especialmente no café (10,38%), trigo (7,57%) e soja (4,59%), além do cimento (2,08%) e fitas magnéticas para computadores (17,64%).
No varejo, segundo Cota, a principal pressão do dólar foi sobre o pão francês (2,59%), em consequência da alta do preço do trigo.
A FGV também divulgou que o ‘‘core inflation’’, ou núcleo da inflação medida pelo IGP-DI, foi de 0,52% em maio. Em abril, a variação do núcleo, que mede a taxa de inflação do mês sem considerar as variações bruscas de preços para cima ou para baixo, foi de 0,64%.
Cota disse que o ‘‘core’’ foi acima do IGP-DI em maio porque as quedas de preços foram superiores aos aumentos. Desse modo, as quedas foram destaque nas variações bruscas que são eliminadas no cálculo, resultando em peso maior dos aumentos de preços. A taxa do ‘‘core inflation’’ vem apresentando elevações consecutivas desde setembro do ano passado.

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