Curitiba Os preços administrados tiveram uma queda de 2,23% no mês passado. Esta é a primeira deflação do ano registrada para esse conjunto de preços. A última aconteceu em agosto do ano passado.
Preços chamados administrados são aqueles que não estão sujeitos às variações de oferta e demanda, porque são determinados por contratos pré-estabelecidos pelo setor público. São exemplos os serviços telefônicos, gasolina, gás de cozinha, entre outros. Os preços administrados consomem aproximadamente 30% do orçamento familiar. Mais do que a alimentação, que compromete 25% da renda das famílias.
Os números apurados pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e divulgados na tarde de ontem, em conjunto com o Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), revelam que os principais responsáveis pela variação negativa foram as tarifas do transporte coletivo e os combustíveis. A tarifa de ônibus em Curitiba caiu de R$ 1,70 para R$ 1,65, de abril para maio. Em Londrina, continua sendo cobrado R$ 1,60. O litro da gasolina baixou, em média, de R$ 2,12 para R$ 1,98.
O preço varia de acordo com o município. Em Toledo e Francisco Beltrão, por exemplo, está sendo praticado o maior preço por litro: R$ 2,21. Em Londrina, a 12 colocada no ranking de preços médios, o litro está em R$ 2,08. Curitiba registra os menores valores (R$ 1,98). O Dieese aponta que os preços variam por causa das margens de lucro praticadas pelos donos de postos.
O desempenho dos preços administrados coincidiu com a deflação da cesta básica de maio, que foi de -3,99% segundo o Dieese.
Em contraste com as deflações de maio, a expectativa é de maior pressão inflacionária nos meses seguintes. São esperados aumentos para a energia elétrica e telefonia, no final de junho. Isso transfere o impacto do aumento para os índices de julho.
Num cálculo estimado, o economista Cid Cordeiro, do Dieese, aponta que o impacto de ambos os aumentos pode chegar a 0,80%. Esse percentual seria a pressão inicial da inflação daqui a um mês. Uma possível queda no preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha, também deve afetar os índices de junho e julho.

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