Curitiba – Os valores das tarifas públicas e preços administrados, em Curitiba, tiveram um aumento de 2,35% no mês de abril, mais que o dobro da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mesmo período, que foi de 1%. A variação acumulada no ano é de 4,83%, enquanto o índice inflacionário é de 2,81%.
Nos últimos 12 meses, o percentual acumulado é de 17,97% para uma inflação de 8,76%. Isso significa que o curitibano está tendo que desembolsar R$ 51,74 a mais do que em abril do ano passado. O custo médio dos serviços públicos – transporte, energia, água e esgoto e outros –, para uma família, é de R$ 339,69.
No ano passado, as tarifas públicas apresentaram 12,3% de variação contra uma inflação de 7,67% (IPCA). A previsão é de que os preços administrados acumulem este ano um reajuste de 7,2%, enquanto que a inflação deve girar em torno de 4,5 e 5%.
De acordo com o levantamento divulgado, ontem, pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), os únicos itens que tiveram reajuste em abril foram o gás de cozinha (10,65%) e os combustíveis –gasolina (8,34%), diesel (7,26%) e álcool (0,22%). ‘‘São esses reajustes que estão pressionando a inflação’’, garantiu o economista do Dieese, Cid Cordeiro.
Para o presidente do Senge, Carlos Roberto Bittencourt, os números derrubam o discurso do governo federal de que com a política de privatização, os preços dos serviços como de telefonia e energia elétrica –setores já entregues à iniciativa privada– baixariam. ‘‘Aconteceu justamente o contrário’’, avaliou.
De acordo com Bittencourt, os contratos de privatização ‘‘mal elaborados’’ –prevendo reajustes anuais e com os preços indexados à variação cambial e ao Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM)– contribuíram para disparar o custo dos serviços. ‘‘O aumento da produtividade não está sendo considerado na discussão dos preços’’, complementou. Bittencourt critica ainda as agências reguladoras –criadas para controlar preços– que se tornaram ‘‘homologadoras’’ do que as empresas pedem.
A projeção do Dieese, segundo Cordeiro, é de que em maio os preços, principalmente do gás de cozinha e dos combustíveis, continuem caindo, a exemplo do que aconteceu nas últimas três semanas de abril e no começo deste mês. Ele avalia, no entanto, que a queda é reflexo do comportamento do consumo. Por conta do exagerado aumento, o consumidor está comprando menos e, com isso, as empresas estão sendo obrigadas a baixar os preços. ‘‘É o fôlego que vamos ter antes da rodada de aumentos de junho e julho’’, afirmou o economista referindo-se aos reajustes das tarifas de telefone e energia elétrica.

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