Curitiba – Os preços administrados (controlados pelo governo) consomem, atualmente, cerca de 30% do orçamento familiar em Curitiba. Os dados foram divulgados ontem e integram uma pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) em parceria com o Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge). No mês de janeiro, os preços administrados tiveram uma variação de 2,26%, o que equivale a 0,01% a mais do que a inflação, que ficou em 2,25% no mesmo período. Em janeiro do ano passado, os preços administrados tinham apresentado uma deflação de 1,4%.
  Os combustíveis foram os itens que mais contribuíram para esse aumento. O diesel teve variação de 9% no mês e a gasolina de 6,87%. A taxa de água e de esgoto também influenciou a variação, já que o reajuste foi de 8,61 em janeiro.
  Apesar do aumento dos combustíveis, o Paraná se mantém na oitava posição no ranking dos Estados com menor preço médio praticado, que ficou em R$ 2,159 por litro. A variação entre o menor e o maior preço é significativa. A diferença é de R$ 0,61 por litro, o que representa R$ 30,50 em 50 litros.
  O município de Francisco Beltrão registrou o preço médio mais alto de gasolina no Estado: R$ 2,309. Apucarana aparece em segundo lugar (R$ 2,281) e Londrina em terceiro (R$ 2,264). Curitiba é a cidade que tem o menor preço (R$ 2,07).
  ‘‘A expectativa era de que os preços administrados só pressionassem a inflação em maio e junho, quando ocorrem os reajustes dos principais contratos. Mas isso não está acontecendo e novamente os serviços públicos subiram mais do que a inflação’’, analisa o economista do Dieese, Cid Cordeiro.
  Em fevereiro, a tendência é de um cenário ainda pior. Pelos cálculos do Dieese e do Senge, a variação dos preços administrados deve ser de 5%. Além dos combustíveis, que devem continuar com preços em alta, a tarifa de ônibus em Curitiba e região metropolitana deve subir de R$ 1,50 para R$ 1,70, pressionando os índices inflacionários. As mensalidades de telefones celulares e o preço do minuto da ligação também devem ser reajutados este mês.
  O grande problema da elevação dos custos dos preços administrados, segundo Cordeiro, é que são itens de difícil substituição ou redução de consumo. Para conseguir suportar esse impacto de 30% na renda, as famílias precisam consumir cada vez menos outros produtos.
  O ano de 2002 foi o quinto consecutivo em que a renda do brasileiro caiu. No último ano, a redução foi de 7,7%. Considerando o período todo, de cinco anos, a queda da renda já atinge a casa dos 35%.

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