Preços administrados elevaram a Selic
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Brasília O temor de que os sucessivos aumentos de preços administrados e monitorados, como gasolina, tarifas de ônibus e energia elétrica, possam tornar a inflação incontrolável foi o principal motivo para que o Banco Central elevasse ainda mais os juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada e ainda reforçasse a medida retirando R$ 8 bilhões de circulação da economia.
Na ata divulgada ontem, os técnicos do BC argumentam que a inflação resiste a cair, o que poderá fazer com que ela se consolide num novo nível. Altamente influenciados pela oscilação da taxa de câmbio, os preços administrados e monitorados repercutem duplamente na inflação, de forma direta e por meio do aumento de custos na cadeia produtiva.
De acordo com os diretores do BC, a inflação de 2,25% registrada em janeiro foi influenciada pela significativa alta dos preços administrados e monitorados (de 3,83%). Esse valor é 2,3 vezes maior do que a variação verificada nos demais preços, chamados de livres.
''Apesar da participação de 27,9% na composição do IPCA, esses bens foram responsáveis por 47% da inflação de janeiro e 40% da inflação acumulada nos últimos 12 meses'', afirmam os técnicos.
No mês passado, enquanto a inflação dos preços livres foi de 1,64%, o preço da gasolina ao consumidor elevou-se em 8,82%. Foi a ''maior contribuição individual ao IPCA'' do período. A gasolina subiu 12,8% nas refinarias no final do ano passado. O álcool foi reajustado, em janeiro, em 5,96% depois de um aumento de 2,96% registrado em dezembro. Já o óleo diesel que havia subido 8% no último mês de 2002, teve novo aumento de 11,88% no mês passado.
Junte-se a isso os reajustes de 4,99% nas tarifas de ônibus urbanos, de 7,18% nas tarifas de ônibus intermunicipais e 2,73% de elevação no preço da energia elétrica. Esses aumentos tendem a continuar pressionando a inflação este mês, já que o setor produtivo poderá repassá-los, pelo menos parcialmente, para o preço dos produtos.
E, diante da possibilidade de uma guerra deflagrada pelos Estados Unidos contra o Iraque, o risco de altas ainda mais fortes no preço do petróleo aumenta a cada dia, o que, se confirmado, terá impacto no IPCA (índice que serve de referência para o sistema de metas de inflação).


