Os consumidores devem esperar para 2014 a mesma pressão sobre os preços que sentiram em 2013, quando houve forte atuação do governo federal para segurar as tarifas administradas. As previsões de analistas apontam que os esforços devem buscar manter a inflação abaixo do teto da meta do Banco Central (BC), de 6,5%, e não fazer com que se aproxime dos 4,5% estipulados como ideal para o ano. O problema é que produtos com valor controlado, como gasolina e energia elétrica, não devem ficar em baixa novamente.
Três agências de análise de mercado apontam que os preços administrados aumentaram no máximo 1,50% nos últimos 12 meses, índice quase três vezes menor do que o esperado para 2014. Para a Rosemberg Associados, o índice deve fechar 2013 em 1,50% e em 4,50% neste ano. A Tendências Consultoria Integrada projeta 1,25% e 4,25% para os mesmos dois períodos, enquanto a LCA Consultores aponta para 1,40% e 4,10%.
Para exemplificar o tamanho do reflexo da ação do governo na inflação oficial, relatório do BC de março de 2013 considera o peso do conjunto de preços administrados em 23,34% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ou quase um quarto da inflação oficial. Como o Boletim Focus divulgado na última segunda-feira pelo órgão estima a projeção da inflação para 2013 em 5,73%, o índice poderia ter ficado acima da meta sem o controle de preços.
Somente petróleo, transporte, produtos farmacêuticos, planos de saúde, energia elétrica residencial, serviços de telefonia representam quase 20% de toda a inflação. E, no ano passado, o governo bancou o desconto de 15% no preço da eletricidade residencial, a Petrobras teve prejuízos por vender gasolina e diesel por valores menores do que pagou no mercado internacional e houve reduções nas tarifas de transporte público por todo o País, na esteira das manifestações de rua de junho.
O economista da Rosenberg, Fernando Parmagnani, afirma que a redução de 15% na tarifa de energia representou alívio de 0,40 ponto porcentual no IPCA deste ano. Para 2014, ele prevê reajuste de 4% no serviço, com impacto de 0,10 ponto porcentual sobre a inflação. "Os preços administrados são o maior fator de aceleração da inflação em 2014", diz.
A professora de economia Fátima Campos, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), acredita que há necessidade de aumento de preços de combustíveis para que a Petrobras recupere a capacidade de investimentos. "Isso é certo, mas inflação é impopular do ponto de vista eleitoral, porque frete e combustíveis entram na composição de todos os preços na economia", diz. Mesmo assim, ela espera um reajuste para o primeiro semestre, "o mais longe possível" da votação em outubro.
Para o presidente do Sindicato de Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, a pressão será grande em 2014. Ele lembra que as reduções nos preços dos transportes e de energia elétrica não devem se repetir, o que pode voltar a penalizar o setor de petróleo. "O governo vai continuar nessa loucura de segurar o valor dos combustíveis e vai pagar a conta em 2015. A Petrobras deve chegar no limite, porque pode ter rebaixamento de nota para investimentos."

Câmbio
Há ainda o risco de uma fuga de dólares do País, pela redução de incentivos pelo banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) à economia norte-americana. Nesse caso, a moeda se valorizaria frente o real e aumentaria a necessidade de reajustes no preço da gasolina, por exemplo, além de elevar a inflação sobre insumos e produtos importados.
Fátima e Antunes, entretanto, não creem que o dólar apareça como outro vilão dos preços. "Os Estados Unidos vinham anunciando a retirada dos incentivos à economia há tempos e o mercado já estava se ajustando", diz a professora da UEL. (Com Agência Estado)

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