As tarifas públicas foram responsáveis por 40% da inflação média acumulada de janeiro a novembro deste ano, segundo dados reunidos pelo Ministério da Fazenda. Nos primeiros 11 meses, a média dos preços aos consumidor subiu cerca de 10%. Desse aumento, quatro pontos percentuais são consequência do reajuste das tarifas públicas - como eletricidade, correios e telefonia -, segundo nota distribuída pela Secretaria de Política Econômica. No índice final de 96, esse percentual pode aumentar por causa do aumento autorizado para os preços dos combustíveis, desde ontem. Na composição da inflação, os serviços que possuem rigidez contratual, como aluguel residencial, mensalidade escolar e planos de saúde, tiveram peso de três pontos percentuais.
Os outros três pontos percentuais ficaram com os demais preços, que estão mais flexíveis às condições do mercado. Segundo a avaliação da equipe econômica, a economia brasileira passa por um processo de acomodação de preços. E as variações entre os mais diferentes índices de preços estão menores.
O grupo alimentação registrou uma alta de preços de 3,6% nos últimos 11 meses, apesar da safra agrícola ter sido menor que a de 95. Isso foi possível por causa do aumento do número de fornecedores, que atenuou as oscilações de preços dos períodos de safra e entressafra. A inflação em 97 deve ficar entre 5% e 7%, calcula o governo. A recuperação da atividade agrícola e a manutenção dos preços dos serviços são os principais fatores que devem ajudar na queda do índice, explica a nota do ministério.
Prévia maior A inflação apurada na segunda prévia de dezembro do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), de 21 de novembro a 10 de dezembro, ficou em 0,30%, superior aos 0,17% do período anterior. O motivo foi o aumento nos preços apurado no Índice de Preços ao Atacado (IPA), responsável por uma variação de 0,50%. Na segunda prévia de novembro o IPA, que responde por 60% do IGPM, teve uma variação negativa de -0,03%.
O IGPM, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para as instituições do mercado financeiro, apurou a variação de preços no período de 21 de novembro a 10 de dezembro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com um peso de 30% no índice geral, teve uma deflação de -0,10% e o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), responsável por 10% do IGPM, subiu 0,46%.
No IPA, a maior pressão ficou por conta do grupo Bens de Consumo, com uma variação de 1,41%, exercendo forte influência no resultado final da segunda prévia do IGPM.

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