Preço pode levar produção de açúcar a novo recorde
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Célia Froufe<br> Agência Estado 
Brasília - A disparada dos preços no mercado internacional deve levar a produção brasileira de açúcar a registrar recorde pela quarta vez consecutiva, na avaliação de técnicos do Ministério da Agricultura. A expectativa é de que a safra 2009/2010 atinja 34 milhões de toneladas, o que significaria um crescimento de 10% na comparação com o ciclo passado, ou cerca de 20% de toda a produção mundial. Os dados finais do ano serão divulgados amanhã pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Ontem, o açúcar chegou a ser negociado no maior nível em 11 semanas no mercado futuro de Nova York. No fechamento, os contratos para março subiram 5,33%, para 25,28 centavos de dólar por libra. Já há quem aposte na possibilidade de o açúcar atingir 30 centavos por libra. Em Londres, os papéis com o mesmo vencimento registraram a maior marca desde 1983, ao baterem em US$ 652,80 centavos por tonelada - encerraram o dia com alta de 3,9%, a US$ 650,70 por tonelada.
Para o coordenador do Departamento de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Luís Carlos Job, outra razão que levou ao crescimento da produção doméstica foi a queda de oferta verificada em outros países produtores. ''Por razões internas, a Índia, segundo maior produtor mundial, apresentou grandes quedas de produção nos dois últimos anos e terá que importar entre seis e oito milhões de toneladas até o final de 2010'', disse.
Foi justamente a redução dos estoques mundiais nos últimos três anos, por causa do episódio indiano, que levou à disparada dos preços. A expectativa de Job é de continuidade da alta no curto prazo, ainda que Estados Unidos, Tailândia, China, México e a própria Índia apresentem pequena recuperação na produção. Ele acredita, no entanto, que a euforia tem hora para acabar. ''No mercado futuro, a tendência é de queda gradativa no preço até 2011.''
Álcool
A produção em massa de açúcar pode esbarrar em outro produto que tem tido seus preços acompanhados de perto pelo governo: o álcool. ''Se for mantida essa tendência de preços altos no mercado internacional, os usineiros tendem a concentrar sua produção em açúcar, o que tomaria parte da do álcool'', comentou Job. Com menor oferta de combustível, sempre há a perspectiva de alta dos preços. O governo já vem estudando a possibilidade de reduzir a quantidade de álcool hidrato, que é misturado à gasolina, devido a outro problema: a redução da colheita de cana-de-açúcar por causa do excesso de chuva. Atualmente, o mix é de 25%.


