Preço pode desestimular plantio de feijão
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terça-feira, 16 de dezembro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Os baixos preços do feijão começam a preocupar a cadeia produtiva. No mercado de lotes, a saca desvalorizou 55% desde março. Ao produtor, a queda foi de 44%, entre abril e novembro. Na semana passada, o preço médio praticado no Estado oscilou em torno de R$ 50,00, valor que se aproxima do preço mínimo de R$ 47,00 garantido pelo governo federal.
No varejo, a queda foi de 31%, com o quilo comercializado a R$ 1,94, em média, no Paraná. A queda é explicada pela redução no consumo interno, estimado em 15%. Além disso, a entrada da safra aumenta a oferta do produto e influencia os preços.
''Com o início da colheita a tendência é que os preços caiam a níveis preocupantes'', afirmou o engenheiro agrônomo Richardson de Souza, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab). Segundo ele, valores menores que o preço mínimo garantido pelo governo não cobrem sequer o custo oparacional da cultura.
A conjuntura pode resultar em nova redução de área. Os produtores mais tecnificados, a exemplo do que aconteceu nesta safra, devem diminuir as lavouras de feijão para plantar soja. ''A maior preocupação é com os pequenos produtores'', enfatizou, referindo-se à parcela de agricultores que tradicionalmente plantam feijão e não possuem condições de investir em grandes lavouras. ''A renda deles vai ficar ainda mais comprometida.''
A solução, para ele, depende do lançamento, pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), de mecanismos para enxugar o mercado, como é o caso da AGF, do EGF e das aquisições da agricultura familiar. ''Alertamos o Ministério da Agricultura sobre o problema, porque a tendência é de novas quedas'', disse.
O analista Marcelo Eduardo Luders, diretor da Correpar Corretora de Mercadorias, de Curitiba, comentou que os produtores poderiam estar em situação mais confortável se tivessem investido em variedades bem aceitas no mercado internacional, como é o caso do feijão preto, vermelho, carioca e, principalmente, rajado para exportação.
Segundo ele, o primeiro trimestre do próximo ano apresentará escassez mundial do produto. O Brasil, porém, não aproveitará o momento favorável por falta de informação do produtor, que continuará vendendo barato, no mercado interno, por causa do excesso de oferta inerente ao pico da safra. ''Com a produtividade que os produtores brasileiros podem alcançar, mais do que nunca precisamos buscar alternativas em variedades diversas de feijão'', afirmou.
O produtor Neudi Mosconi, de Cascavel, nunca pensou em plantar feijão para exportação. ''Não sei como fazer, o mercado é complicado'', afirmou ele, acrescentando que, além disso, o clima da região impede a obtenção da qualidade necessária para vender ao exterior.
Sobre a movimentação do mercado interno, ele considerou que a situação é alarmante. ''O preço pago não cobre o custo de produção'', reclamou. Para piorar, o clima favoreceu o aparecimento de doenças não controláveis que reduzirão a produtividade da safra. ''O povo não tem dinheiro para comprar comida. Se o mercado não melhorar, vou reduzir a área drasticamente na próxima safra.''


