Os preços pagos aos suinocultores paranaenses já começam a registrar uma ligeira alta. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq), entre os dias 14 e 18 de novembro, o preço destinado ao produtor passou de R$ 2,32 para R$ 2,40 o quilo. A atual semana iniciou em alta, com o valor pago pela carcaça em R$ 2,41 o quilo.
Edmar Gervasio, administrador do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), afirma que esse pequeno aquecimento de preços nesse final do ano é uma tendência natural de mercado, já que o consumo aumenta nesta época do ano devido às festas de final de ano. ''O setor está em recuperação, mas o atual crescimento, se comparado ao mesmo período do ano passado, ainda é muito menor'', reforça.
Para o especialista do Deral, o volor mínimo de R$ 2,50 seria o ideal para que o produtor tenha alguma margem de lucro na atividade. Isso, completa Gervasio, se os custos de produção ficassem entre R$ 1,80 e R$ 2,20. Devido à elevação do preço do milho, principal fonte de matéria-prima para a produção de ração, a recuperação da suinocultura está mais lenta.
Gervasio completa que a média dos preços pagos ao produtor em outubro, por exemplo, fechou em R$ 2,29 o quilo. Se comparado ao mesmo mês de 2010, o valor obteve um recuo de 11,6%. ''Apesar do valor abaixo do esperado, a tendência é de que até na primeira quinzena de dezembro, os preços subam gradativamente'', salienta o pesquisador do Deral. No ano passado, completa Gervasio, a média de preços de novembro e dezembro foi de R$ 2,76 e R$ 2,75 respectivamente.
Neste ano, o melhor valor pago ao suinocultor paranaense foi obtido no mês de janeiro, chegando ao patamar de R$ 2,55 o quilo. ''Normalmente os melhores preços são obtidos em novembro e dezembro, porém há sinais de que isso não irá se concretizar neste ano'', avalia Gervasio. Atualmente, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná representa 17,3% da produção brasileira de carne suína, que é de 3.078.414.091 quilos, dado registrado em 2010.
Exportações
Para o suinocultor de Rolândia, Anésio Tribulato, o aumento dos preços da carne suína não está significativamente relacionado às vendas de final de ano. A expectativa do produtor é de que o fim do embargo russo imposto ao produto nacional, previsto para ocorrer em 2012, seja o fator responsável pela melhora da situação na cadeia produtiva. ''Há muitas promessas de que as exportações voltem a ocorrer normalmente no início do ano que vem, e espero que os preços subam com isso'', avalia.
Tribulato argumenta que a redução do preço da carne suína é causada pela grande quantidade de produto presente no mercado, tendo em vista que a produção nacional é alta e o consumo interno é reduzido, com média individual de 13 quilos ao ano. O suinocultor comercializa cerca de 300 animais por semana a R$ 2,70 o quilo. ''Vendo exclusivamente para um frigorífico há quase dez anos e, por isso, eles me pagam R$ 0,20 a mais por quilo do que o valor praticado na região'', afirma.(Colaborou Mariana Fabre)

Imagem ilustrativa da imagem Preço pago ao suinocultor começa a reagir
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