Preço pago ao produtor de feijão bate a casa dos R$ 140
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terça-feira, 27 de novembro de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
De janeiro a setembro deste ano, o preço médio pago ao produtor pelo feijão de cor alcançou R$ 137,32 a saca de 60 quilos, 88% a mais se comparado com o mesmo período do ano passado, segundo dados do último levantamento realizado pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). O aumento no valor do grão, segundo a entidade, se intensificou principalmente por ser um período de entressafra e depois que foi confirmada a redução de 12% na área plantada nesta primeira safra da temporada 2012/13, que vai de agosto a novembro.
A estiagem que atingiu o Estado nos últimos meses também tem prejudicado a estimativa de produção e refletido no mercado. Os preços da leguminosa permanecem em alta. Ontem, por exemplo, a saca do grão fechou em média a R$ 140,34 no Paraná.
Nesta primeira safra, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Estado plantou cerca de 218 mil hectares. Apesar da redução de área, a expectativa de produção está estimada em 376 mil toneladas, se o clima colaborar. Na primeira safra de feijão de 2011/12, o Paraná não chegou a produzir 350 mil toneladas. De acordo com Carlos Alberto Salvador, técnico do Deral, a redução de área foi motivada pelos altos preços da soja e do milho. ''Muitos deixaram de plantar feijão para investir em grãos, isso desestabilizou o setor'', observa.
A redução de área não aconteceu só no Paraná, mas em todo o Brasil. Nesta primeira safra, a queda pode chegar a 7,9% em relação ao ciclo anterior. Ao todo, foram semeados no País 1,43 milhão de hectares, com uma expectativa de produção de 1,2 milhão de toneladas. Salvador explica que a atual situação do feijão é um fenômeno de momento. ''O alimento está rendendo bem, mas a soja tem oferecido muito mais ao agricultor'', completa.
Para Salvador, a atual situação do mercado de feijão é atípica e o mercado segue otimista, principalmente por causa do aumento da remuneração ao agricultor. Mesmo sem uma estimativa oficial, o técnico do Deral estima que deve haver um aumento na área plantada na segunda safra, que vai de janeiro a março. ''Com os bons preços do feijão poderemos ter uma boa safra'', completa Salvador.
Porém, o consumidor está pagando a conta dessa instabilidade de mercado. De acordo com dados do Deral, em novembro o preço médio para o quilo do feijão cor foi de R$ 4,29. Em novembro de 2011 o valor médio encontrado nas gôndolas do supermercado era de R$ 3,19 o quilo. ''Agora os preços tendem a se manter em alta, já que ainda estamos na entressafra'', sublinha Salvador. Ele completa que se a segunda safra for bem, os preços podem cair.



