Mesmo com o encarecimento do trigo importado devido à desvalorização do real, produtores paranaenses devem ter cautela. Apesar de estimativas sobre o aumento da área plantada do produto na próxima safra - a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê um crescimento de 20% no País - a esperada elevação do preço mínimo continua sendo a única garantia de rentabilidade. Os produtores reivindicam do Ministério da Agricultura que o preço mínimo da tonelada suba dos atuais R$ 157 para R$ 175.
O engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), lembra que a o encarecimento do trigo importado não garante interesse dos moinhos pela produção nacional.
Hubner observa que em 1996, ano em que a cotação do trigo nas bolsas internacionais ficou, em média, 60% acima da cotação atual, não houve maior procura pelo trigo nacional. Mesmo diante dessa situação, o trigo nacional foi comercializado pelo leilão do Prêmio para Escoamento da Produção (PEP).
O principal motivo foram as vantagens de negocição no mercado externo - muitas ainda mantidas -, como longos prazos para pagamento e taxas de juro internacionais, em torno de 7% ao ano. ‘‘Mesmo com a desvalorização do real, ainda é mais vantajoso importar o produto’’, disse Hubner. Comprar o trigo nacional implica cumprir prazos curtos e arcar com taxas que vigoram no mercado interno, por volta de 36% ao ano.
Plantio Hubner alerta que os produtores que decidirem aumentar a área plantada do trigo ou substituir outras culturas por essa, devem procurar assistência técnica para reduzir os riscos de prejuízos climáticos e os custos da produção.
Segundo Hubner, o Estado tem sementes suficientes para repetir a área plantada da safra do ano passado - cerca de 900 mil hectares que geraram uma produção de 1,5 milhão de toneladas. Se a área plantada crescer no Paraná, lembrou, será necessário comprar sementes de outros Estados. ‘‘Existe a possibilidade de faltar sementes, já que produtores de outras regiões do País também pensam ma expensão da área plantada.’’

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