Porto Alegre - Mesmo com o reajuste de 20% aplicado ao preço mínimo do trigo, que passou de R$ 24 para R$ 28,80 pela saca de 60 quilos, o valor ficou abaixo do reivindicado pelo setor produtivo, que no começo do ano já solicitava correção para R$ 30. O novo preço foi anunciado ontem em Curitiba (PR), no lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2008/09, no momento em que Paraná e Rio Grande do Sul, os principais Estados produtores de trigo, estão em fase de plantio da safra.
''O preço mínimo é uma referência para o produtor, mas o mercado está acima deste valor'', observou o assessor técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra. O produtor plantou com expectativa de que o mercado negocie por preço superior ao mínimo no momento de vender a safra, lembrou Turra. ''Ficou abaixo do reivindicado, mas houve uma correção razoável'', complementou.
O preço médio do trigo no Paraná estava em R$ 39,67/saca terça-feira, enquanto no Rio Grande do Sul o produtor recebe R$ 32,58 nesta semana. O novo valor foi ''frustrante'' para o presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Hamilton Jardim. Ele lembrou que os triticultores apontaram R$ 30 em janeiro, mas desde então o custo de produção subiu 70%, pressionado principalmente pelos preços do adubo e uréia. Na época, R$ 28,80 representavam um avanço, mas diante da variação dos insumos, hoje ficam muito abaixo da necessidade do setor, analisou.
O preço mínimo não era reajustado há quatro anos, lembrou o dirigente. Se o Brasil quiser reduzir sua dependência das importações, terá de incentivar um maior aumento de área, comentou Jardim.
No Paraná, o plantio de trigo chegou a 89% da área esperada nesta semana, estimada em um total de 1,091 milhão de hectares pelo Departamento de Economia Rural. No Rio Grande do Sul, até a semana passada os produtores cultivaram 65% dos 950 mil hectares previstos pela Emater. A Companhia Nacional de Abastecimento projetou aumento de 31,6% na área do Paraná, para 1,081 milhão de hectares, e de 15,1% no Rio Grande do Sul, para 939 mil hectares.

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