Preço mínimo do Banestado será questionado na Justiça
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segunda-feira, 02 de outubro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
O presidente do Sindicato dos Bancários, José Daniel de Farias, confirmou ontem que a entidade entrará com ação para questionar o preço mínimo do Banestado até o próximo dia 10, terça-feira da próxima semana. A intenção é bloquear a privatização com o argumento de que o banco foi subavaliado pelo governo do Estado, que fixou o preço de venda em R$ 434 milhões. Farias diz que um cálculo feito pelo sindicato com auxílio do Dieese mostra que o preço do Banestado poderia ficar em torno de R$ 1,6 bilhão.
Para chegar a este valor, o sindicato pegou alguns itens que valorizam o banco. Entre eles, o crédito tributário de R$ 1,6 bilhão que o Banestado tem a receber nos próximos 30 anos. O comprador do Banestado poderá usar parte desse dinheiro nos dois primeiros anos para abater no Imposto de Renda, afirmou Farias. O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, questiona o uso imediato deste dinheiro, pois primeiro o banco terá de comprovar lucro.
Outro valor apontado pelo sindicato são os R$ 254 milhões que foram monetizados, isto é, o banco ficou com o ativo enquanto o governo assumiu os créditos de difícil liquidação. Quando o governo assumiu estes créditos, o Banestado deveria ter se valorizado mais, afirmou Farias. O presidente do Banestado diz que não seria possível manter o banco com créditos podres, pois isso iria depreciar o valor da instituição e poderia não atrair compradores.
Há ainda cerca de R$ 400 milhões em ações da Copel que estão caucionadas no Banestado como garantia de títulos públicos de Alagoas, Osasco e Santa Catarina. O governo tem de resgatar esses papéis até 31 de dezembro, caso contrário as ações da Copel ficam com o novo dono do banco, representando um ganho para o novo controlador. O Sindicato dos Bancários avalia que o risco de não ocorrer o resgate é grande e isso deveria ter sido levado em conta na hora de fixar o preço.
O governo assegura que poderá resgatar os papéis. Estamos trabalhando para conseguir o dinheiro para resgatar as ações da Copel, disse o secretário do Governo, José Cid Campelo Filho. Mas dentro da diretoria do próprio banco há dúvidas de que isso realmente aconteça.


