Preço mínimo desanima produtor do PR
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quinta-feira, 25 de março de 1999
Vânia Casado 
A área plantada com trigo no Paraná nesta safra deverá repetir a mesma área do ano passado, em torno de 900 mil hectares. A previsão é do presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, ao comentar o reajuste do preço mínimo do trigo de R$ 157,00 para R$ 185,00 a tonelada, fixado ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), após permanecer no mesmo patamar nos últimos três anos. Segundo Koslovski, esse preço mínimo não é estimulante e a expectativa de que a cultura fosse favorecida pela desvalorização cambial não deverá se confirmar.
A Secretaria da Agricultura também não prevê aumento de área plantada para o trigo. Ontem, o Departamento de Economia Rural (Deral) divulgou a primeira estimativa de safra para a cultura e identificou um recuo de 2,6%. No ano passado foram plantados 898 mil hectares e este ano deverão ser plantados 874 mil hectares, disse o técnico Otmar Hubner. Segundo o técnico, para cobrir o custo operacional de produção, o preço mínimo deveria ser de R$ 210,00 a tonelada. Ele também aponta a insegurança do produtor em relação a comercialização como limitação ao aumento de área.
A preocupação do presidente da Ocepar é que o preço do trigo foi achatado em dólar, apesar do reajuste do preço mínimo em torno de 18%. Segundo Koslovski o preço mínimo do trigo está correspondendo a US$ 100 a tonelada. No ano passado, o preço mínimo fixado em R$ 157 a tonelada, com câmbio em torno de US$ 1,20, o produtor recebeu US$ 130 a tonelada. Além da perda em dólar, Koslovski criticou a alta dos insumos, cuja variação superou o reajuste do preço mínimo.
Outra preocupação apontada por Koslovski, que vai influenciar negativamente os produtores é a falta de cobertura do Proagro por alguns agentes financeiros. Segundo Koslovski, a cultura é de risco e por isso mesmo precisa da cobertura do seguro agrícola, como também de EGF (Empréstimo do Governo Federal) para a comercialização, tanto para o produtor como para a indústria. Para o líder cooperativista o instrumento do PEP (Prêmio de Escoamento do Produto) é bom, mas não o suficiente para tranquilizar os produtores. Segundo ele o setor produtivo precisa de um instrumento que lhe dê condições de segurar mais a safra, para vendê-la aos poucos.
Produção Apesar da redução da área plantada, o Deral está prevendo uma produção entre 1,8 e 2 milhões de toneladas, um aumento de 25% sobre a safra passada quando foram colhidas 1,5 milhão de toneladas. Ocorre que no ano passado houve uma quebra de 20% na produção, em decorrência do excesso de chuva na colheita.
O estabelecimento do preço mínimo não vai alterar o quadro de plantio estimado pelo Deral. Segundo Otmar Hubner, os produtores da região Norte que estão mais animados com o desempenho da cultura na última safra, deverão aumentar a área plantada em 6,4%. O plantio deverá avançar de 314 mil hectares na safra passada, para 334 mil hectares este ano. A expectativa de produção também é maior, em torno de 5%, passando de 650 mil toneladas no ano passado, para 682 mil toneladas este ano.


