Nos últimos 12 dias, o preço da soja no Paraná já reagiu 2,4%. O preço médio pago ao produtor evoluiu R$ 0,30 a saca, refletindo um período em que a disputa das indústrias pelo grão está mais acirrada. As indústrias que não fizeram suas compras no primeiro semestre começam a disputar o que sobrou, disse o técnico Otmar Hubner, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Ele acredita que essa fase de especulação de preço deve se encerrar em outubro, quando as previsões para nova safra no País estarão mais consolidadas.
O preço médio da soja no Estado avançou de R$ 11,82 para R$ 12,11. Mas nas cooperativas já foram fechados negócios a R$ 13,50 a saca e até a R$ 14,00, dependendo da região. Com isso, os preços da soja no mercado interno começam a se descolar de Chicago, colocando-se acima da paridade internacional, que está avaliada em R$ 13,00. Os técnicos de cooperativas acreditam que o mercado doméstico vai se manter em alta, até que os custos de internacionalização do produto fiquem inferiores aos preços praticados aqui dentro. Isso porque a operação de importação não é tão simples. Qualquer iniciativa para trazer soja dos Estados Unidos, adotada agora, seria concretizada apenas em outubro com a internalização do produto, além dos elevados custos de transporte e desembaraço aduaneiro.
Flávio Turra, da Ocepar, acredita que o produtor vai aproveitar para vender sua produção até o mês de novembro, quando os preços tendem a cair com a entrada da safra norte-americana no mercado. Para este ano a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) prevê esmagar um volume maior de grãos para atender o mercado interno. Na safra passada foram esmagados 18,94 milhões de toneladas de grãos e este ano, deverão ser esmagados 21 milhões de t. Para completar as necessidades das indústrias, elas poderão importar 800 mil toneladas de soja, volume inferior à importação do ano passado, que foi de 1,45 milhão de t.
Este ano os estoques de soja são superiores aos do ano passado. Mesmo assim, a disputa é grande porque estão abaixo da série histórica. Na safra 97/98, ano em que a exportação foi o dobro da média do estado, com a saída de 8,326 milhões de toneladas, restou um estoque de 95.400 toneladas. Este ano, a previsão da Conab para as exportações apontam que o volume embarcado no ano passado será repetido e o estoque atual no País é de 1.072 mil t. Mesmo assim, está abaixo da média histórica que é de 1,5 milhão de t, disse Hubner.
A Abiove prevê exportar 8,5 milhões de t do grão, caracterizando outro patamar de exportação desde o ano passado. Até a safra 96/97, antes da desoneração do ICMS das exportações, a média de embarque de soja era de 4 milhões de t.

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