Com a queda de preço no mercado internacional do algodão, as cooperativas do Paraná estão revendo suas expectativas de comercialização da safra. As cooperativas trabalhavam com expectativas de preços entre R$ 8,00 e R$ 8,50 a arroba em caroço, o que ajudou a motivar o agricultor a voltar a plantar o algodão. Mas a crise das bolsas dos países asiáticos e o aumento de produção dos países exportadores reverteram a tendência. Se continuar a queda no mercado internacional, o mercado deverá pagar entre R$ 7,00 e R$ 7,50 a arroba, devendo se aproximar do preço mínimo de R$ 7,00, com uma redução é de 12% em média.
Para o diretor da Ocepar Nelson Costa, o quadro poderá ter reflexos na comercialização. Além dos países asiáticos estarem fora do mercado, com a desvalorização de suas moedas, a produção internacional de algodão em 98 deverá superar as previsões.
A safra norte-americana está com uma estimativa de 1,3% acima da expectativa e outros países como Argentina e Paraguai, também aumentaram a produção. Porém, até abril, quando começar efetivamente a comercialização de algodão no país ainda há tempo para a situação mudar novamente. Segundo ele, se houver expansão de demanda no mercado internacional por conta da volta dos países asiáticos ao mercado os preços podem se recuperar, acredita.
Para o assessor de comercialização da Coamo, Achilles Fabrete, nem tudo está perdido. Para quem conseguir uma boa produtividade, acima de 350 arrobas por alqueire, vai conseguir ganhar dinheiro, ainda que os preços sejam menores do que os previstos na época de plantio. Fabrete admite que a queda de preços do algodão trouxe desânimo ao mercado. Mas ele também acredita que a situação ainda poderá se reverter, caso haja uma recuperação nas bolsas de valores dos países asiáticos.
A Coamo foi uma das grandes incentivadoras da volta ao plantio de algodão pelo pequeno produtor. Em parceria com o governo do Estado, que apoiou o plantio com subsídios de R$ 106,66/ha a fundo perdido, a cooperativa conseguiu ampliar o plantio em 60%. Na área de influência da Coamo, o plantio de algodão na safra 96/97 foi de 17.000 ha e com os incentivos, passou para R$ 27.000 ha na safra 97/98, com a incorporação de mais 2.000 pequenos produtores aos 2.500 produtores que plantaram na safra anterior, informou o gerente do departamento técnico da Coamo, Ney Sesconeto.
Para Sesconeto, ainda não há motivo para pessimismo. Ele avalia que o custo de produção é de R$ 5,36/arroba, o que ainda permite uma rentabilidade para quem tem boa produtividade. Para o técnico, o desenvolvimento da cultura naquela região aponta para uma boa safra e produtividade média de 310 arrobas/alqueire, o que é satisfatório. A vantagem para os pequenos produtores que plantam algodão, é que dessa vez poderão ter remuneração para ele e para sua família que vai trabalhar na colheita. Segundo Sesconeto, se ele optasse por plantar 3 alqueires de soja ou milho, não teria o mesmo desempenho porque teria de desembolsar recursos para pagar o preparo do solo, a aplicação de herbicidas e para a colheita, comparou.
Outra cooperativa que investiu no incentivo ao plantio do algodão foi a Coagel. Naquela região o aumento do plantio foi de 30% passando de 10.100 hectares na safra 96/97 para 13.800 ha. O gerente do departamento técnico da cooperativa, Elson Rosseto também aposta no aumento de produtividade para driblar as expectativas pessimistas. Segundo ele, o clima está ajudando o desenvolvimento da cultura e este ano não está se verificando a explosão de pragas de doenças que aconteceram nos últimos anos.

mockup