Preço engessado deve aquecer vendas
Carmem Murara
De Curitiba
Depois do turbulento primeiro semestre, quando a economia nacional oscilou e provocou sustos nos brasileiros por causa da desvalorização cambial, as empresas começam a traçar um horizonte mais otimista para este segundo semestre, apesar dos altos e baixos dos últimos dias. O mês de agosto deu sinais de aquecimento nas vendas e também na geração de empregos, sintomas que animam os empresários o os fazem ter previsões sobre um crescimento nas vendas até o final do ano. Mas todos são unânimes em afirmar que foram obrigados a reduzir margem de lucro e congelar os preços.
A Polpapack fabricante de embalagens e produtos à base de papel reciclado é um exemplo de que a pressão das fornecedoras e compradoras é grande em cima da cadeia produtiva. A empresa fornece embalagens para a rede McDonalds, que, para evitar aumento de preços em seus sanduíches, pediu para as fornecedoras não repassarem custos. Tive de acompanhar o congelamento e há três anos não subimos nosso preço, só que nossos insumos aumentaram muito neste período, diz o proprietário Paulo Bonet.
Ele afirma que a solução para enfrentar a redução das margens de lucro sem quebrar é adotar estratégias alternativas. O empresário concentrou em Curitiba a produção do papel reciclado e procurou eliminar intermediários no processo de recolhimento da matéria prima. Ele espera ter um segundo semestre mais tranquilo em relação ao primeiro, quando teve de demitir 20 funcionários de um total de 80, ou seja 25% do quadro de pessoal.
Sou muito otimista e espero um segudo semestre melhor, mas o fato de o govero estar perdido em algumas áreas nos preocupa, diz o empresário. Bonet fala que diante da crise econômica foi necessário reduzir as vendas para poder alterar os custos e se manter em atividade. A Polpack diversifica a produção e começa a fabricar chapéus, caixas de ovos e de maçãs e enchimento para proteger os sapatos antes da venda.
Assim como a Polpapack, também a Bergerson Joalherias aposta num segundo semestre melhor que o primeiro. O diretor de marketing da empresa Marcelo Bergerson diz que aumentar preços nem pensar, logo, o jeito foi reduzir lucro. Nossos insumos são todos dolarizados, mas não pudemos repassar a desvalorização cambial. Estamos cortando na carne, pois já não havia mais gordura para tirar, compara.
A Bergerson trabalha neste segundo semestre para recuperar as vendas e fechar o ano com a mesma quantidade de produtos vendidos no ano passado. Mas o faturamento vai cair proporcionalmente à desvalorização cambial. Com 450 funcionários em 25 lojas em Curitiba, Ponta Grossa, São Paulo, Joinville e Blumenau, a Bergerson adota a filosofia de investir mesmo na crise para poder retomar o mercado quando a recessão passar.





