Preço em NY é o mais alto em 28 meses
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terça-feira, 04 de março de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaTemorMercado reagiu ao anuncio de greve em portos brasileiros, que pode prejudicar cumprimento de contratos SÃO PAULO - O preço do café arábica fechou ontem na cotação mais alta em 28 meses - desde outubro de 1994. A Coffee, Sugar & Cocoa Exchange, de Nova York, registrou 211,65 cents a libra-peso para março, o próximo vencimento, alta de 6,65% no dia. Maio, mês de mais liquidez, subiu 5,63%, para 195,25 cents. Em três pregões a alta é de 14%.
A impressão era de que, após dois meses de alta, o mercado já tivesse definido um patamar de preço. Mas isso ainda não ocorreu, afirma David Nahum Neto, secretário-geral da Associação Brasileira da Indústria de Café. O mercado parece em estado de febre, diz José Sette, secretário-geral da Associação Brasileira dos Exportadores de Café. As compras se acentuaram pelo receio dos importadores com ameaças de greve em portos da Colômbia e do Brasil. Caso as paralisações se concretizem, o fluxo de café ficará ainda mais restrito, acentuando a escassez de arábica.
O presidente da Comissão de Café da Confederação Nacional da Agricultura, Rui Queiroz Guimarães, avalia que restam de 15% a 20% da safra brasileira atual a ser comercializada. O volume representa pouco menos que o total que o Brasil tem a exportar neste semestre, quase 6 milhões de sacas, segundo o acordo da associação dos países produtores. Os contratos futuros de café robusta fecharam com alta também em Londres. No fechamento, março subiu US$ 63 a US$ 1.705 por tonelada e maio avançou US$ 46 a US$ 1.698.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo (Sindicafé), Nathan Herszkowicz, as empresas pagavam no início do ano R$ 120 a saca. O preço saltou 50%, atingindo R$ 180 atualmente. O produto de exportação chegou ontem a até R$ 220. Levantamento do Sindicafé junto a 12 empresas mostra crescimento de 17,02% nas vendas do torrado e moído em janeiro em relação ao mesmo mês de 1996. Para fevereiro, é prevista queda, por causa do aumento de preços, que inibiu compras de matéria-prima pelas torrefações e levou a um repasse parcial de preço ao consumidor.


