A paranaense Compagas saiu de um volume médio de 963,3 mil m³ por dia em setembro, para 1,1 milhão de m³/dia em outubro
A paranaense Compagas saiu de um volume médio de 963,3 mil m³ por dia em setembro, para 1,1 milhão de m³/dia em outubro | Foto: Divulgação



O consumo de gás natural apresenta uma curva ascendente nas vendas em setembro comparado com o mesmo mês do ano passado, de acordo com dados da Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado). Essa elevação foi impulsionada principalmente pela geração terméletrica, que registou um aumento de 19,6%, mas as vendas de gás natural veicular (8,83%) e a indústria com crescimento de 5,3% também impactaram positivamente. A região Sul teve um acréscimo de 3% na demanda.

Mas nem todos os dados são positivos. No comparativo com agosto, o mercado industrial teve uma retração de 1,8%. No entanto, a perspectiva das concessionárias é otimista. A paranaense Compagas saiu de um volume médio de 963,3 mil m³ por dia em setembro, para 1,1 milhão de m³/dia em outubro. No Paraná são 181 empresas utilizando o combustível para o uso industrial, cogeração e matéria-prima para geração de energia elétrica em horário de pico.

A Sulgás, do Rio Grande do Sul, projeta que em cinco anos passará dos 2 milhões de metros cúbicos diários distribuídos para 3,5 milhões ao dia e a catarinense SCGás registrou em outubro um crescimento na faixa de 6%.

A Compagas atende 15 municípios com rede de distribuição e outros dois por meio de GNC (Gás Natural Comprimido): Paranaguá e São Mateus do Sul. Em Londrina, o gás natural chegou em 2011 e conta com cinco clientes, que consomem em média 830 mil metros cúbicos/mês.

O Estado tem potencial para o incremento do consumo, mas é dificultado pelo custo e falta de ramais de distribuição, de acordo com o João Arthur Mohr, executivo do Conselho de Infraestrutura da Fiep (Federação da Indústria do Estado do Paraná). "Este é um grande problema do Paraná e que vem tirando a competitividade de nossa indústria, especialmente do setor cerâmico, que consome grande quantidade de gás natural. Este produto representa mais de 20% em sua matriz de custos", disse. Segundo ele, na vizinha Santa Catarina o gás custa 30% menos.

De acordo com a companhia dois fatores influenciam para que o gás catarinense seja mais barato do que o paranaense: alíquota do ICMS e condições de tarifas diferenciadas impostas pela agência reguladora à SC Gás. Hoje, a alíquota do ICMS no Paraná é 18% e em Santa Catarina 12%. A Compagas informou que não consegue praticar descontos como a empresa catarinense sem prejudicar a saúde financeira da companhia.

Mohr afirmou que já existe um pedido por parte da Fiep para que a empresa solicite a revisão do contrato. "Santa Catarina tem um contrato mais equilibrado em relação à compra e ao consumo, com isso eles conseguem passar ao consumidor os descontos, que chegam a mais de 20 a 30%", comentou o executivo da Fiep.

Com o alto custo do combustível, as empresas que poderiam usá-lo como matriz energética estão optando por derivados de madeira. De acordo com executivo, as indústrias que estão utilizando o gás natural fazem por três razões: o processo produtivo exige um combustível limpo, como no caso das cerâmicas; por estarem próximas de centros urbanos que exigem baixas emissões atmosféricas; e orientação das matrizes, como no caso do setor automotivo.

INTERIORIZAÇÃO

O Gasbol (Gasoduto Brasil Bolívia), que abastece a região Sul, por uma questão estratégica privilegiou as regiões de maior adensamento populacional. O gasoduto entra no Brasil pelo Mato Grosso do Sul, passa pelo interior de São Paulo e desce pelo litoral, acompanhando a BR-101.

O investimento para interiorização da rede é muito alto para um consumo considerado ainda baixo. Segundo Mohr para alavancar a demanda é preciso conquistar empresas âncoras e mostrar as vantagens dessa matriz energética.

Em 2017, o plano da Compagas concentrou-se na saturação da rede de distribuição existente. Entre os meses de janeiro a outubro a empresa teve um incremento de 8,4% na base de clientes. A companhia afirmou que as metas para 2018 ainda estão em fase de consolidação, mas informou que avalia as regiões que possuem polos com elevado índice de industrialização para o fornecimento de gás natural, principalmente nos locais onde não há a predominância do uso da biomassa como fonte energética.

Os municípios com mais potencial no Estado, de acordo com a Compagas, concentram-se nas regiões Leste (Curitiba e RMC), Norte (Londrina e região), e das papeleiras (Telêmaco Borba, Ortigueira e Arapoti). E ressalta que há o interesse em ampliar o atendimento aos diversos mercados e setores para atendimento ao Programa Paraná Competitivo, consolidando o combustível como uma opção mais competitiva frente aos demais energéticos.

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