Ao contrário da indústria que aposta no crescimento de 30% no consumo de chocolates , o comércio e, principalmente, o consumidor ainda estão reticentes em relação a esta Páscoa. Um dos principais fatores para esse desânimo é a baixa renda do trabalhador que, nem de longe, acompanha a alta do cacau no mercado externo. Há pouco mais de um ano, o produto subiu cerca de 300% e, mesmo assim, os ovos de chocolate chegaram às gôndolas dos supermercados com preços reajustados em 2004. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) e a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), o preço da guloseima subiu, em média, 9% a 10%.
Em Londrina, uma exceção entre os supermercados é o Musamar que comprou chocolates entre 15% e 20% a mais do que no ano passado. Wilson Obara, um dos proprietários, acredita que a procura será maior pelas novidades e pela linha diet. Na opinião de Adailton Pereira, presidente da Associação Londrinense de Estabelecimentos Supermercadistas (ALES), a data em que será comemorada a Páscoa este ano pode facilitar as vendas. ''Ainda será início de mês e, provavelmente, a temperatura estará mais amena, o que é um estímulo ao consumo de chocolates'', afirmou.
Apesar da dificuldade econômica do consumidor, a rede Viscardi investiu 5% a mais do que em 2003. De acordo com o diretor comercial da empresa, Ademar Vedoato, todo comerciante sempre espera vender mais e o cliente sempre faz um sacrifício para manter a tradição. De qualquer forma, o supermercado Fatão preferiu não arriscar e manteve a cota comercializada no ano passado. Dessa vez, o diretor comercial Natal Lamboia aposta que a procura será maior pelos ovinhos recheados com brinquedos e os médios (cerca de 240 gramas) que, normalmente, sejam oferecidos como presente.
Por enquanto, a maioria dos consumidores ainda não saiu às compras porque prefere pesquisar antes. Muitos têm a esperança que o preço caia às vésperas da Páscoa. Esse é o caso da auxiliar administrativa Maria Bonifácio que todos os anos deixa as encomendas para a última semana. É quase impossível encontrar quem não reclame dos preços, mas a satisfação em agradar alguém querido é mais forte. Por isso, a dentista Euterpe Frigeri deverá comprar ovos de chocolate para os filhos e sobrinhos adolescentes. Mais justificada é a decisão da dona de casa Elvira Maria Carloto que sente o maior prazer ao ver a felicidade dos sete netos crianças. ''Só vou comprar para eles porque meu marido é diabético e não pode comer chocolate'', concluiu.

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