Preço dos insumos ainda afeta avicultura
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terça-feira, 18 de setembro de 2012
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
A avicultura paranaense permanece em crise, mesmo após a solicitação de medidas de apoio feita pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e pelas lideranças do setor no início do mês. O alto valor dos insumos continua pressionando os custos de produção e as ações negociadas com o governo federal ainda não foram implantadas ou não surtiram efeito. Estado é responsável por 27% da produção nacional de frango.
A valorização da soja e do milho é resultado da quebra da safra norte-americana ocasionada pela seca, que também reduziu a produção de grãos do Sul do País. A Organização das Cooperativas do Estado do Paraná calcula que os custos de produção do frango subiram 35%. Para combater o cenário desfavorável, as empresas começaram a reduzir a oferta de carne na tentativa de ajustar a oferta e a demanda. Entre as solicitações encaminhadas ao Ministério da Agricultura estão uma linha de crédito com taxas de juros de 5,5% ao ano e prazo de reembolso de até 72 meses e a prorrogação de dívidas de produtores e indústrias. A criação de um Prêmio de Escoamento da Produção (PEP) também foi negociada para trazer milho do Centro-Oeste para a região Sul com o intuito de reduzir a pressão sobre os preços.
O presidente executivo da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, afirma que entre as conquistas obtidas pela cadeia produtiva estão a desoneração da folha de pagamento - que só entra em vigor a partir de 2013 -, a disponibilização de linhas de crédito por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil para atendimento às agroindústrias e a sinalização de possível prorrogação de dívidas. No entanto, Turra lamenta que a facilitação do transporte de estoques de milho dos estados produtores para o Paraná ainda não foi atendida. ''Na prática, o setor continua com crise aguda, precisando de socorro urgente para recuperar a operação das empresas'', salienta.
O técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), Roberto Andrade Silva, também avalia que a situação permanece a mesma, mas indica algumas melhoras, como a redução dos encargos da energia elétrica e a elevação dos preços pagos ao avicultor. ''Acredito que o próprio setor vai se ajustar. Os preços devem subir para cobrir os custos elevados e o setor produtivo já iniciou redução do alojamento de aves'', analisa.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, a principal urgência do setor ainda não foi atendida: a flexibilização do capital de giro das indústrias. ''A falta de recursos desacelerou a produção de frango no Paraná e em todo o País'', ressalta. Segundo Martins, o aumento do preço no varejo não deve causar impacto no consumo porque a carne de frango ainda continuará acessível. ''A perspectiva a longo prazo é positiva, mas o desempenho vai ser pontual, variando entre as empresas. Ainda é cedo para uma previsão, mas acredito que não deve haver aumento na produção este ano, somente nas vendas de final de ano'', estima.
Exportações
A média das exportações diárias brasileiras no acumulado do mês de setembro aumentou 0,9%, passando de US$ 1,109 bilhão até a segunda semana deste mês em 2011 para US$ 1,118 bilhão este ano. Números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior indicam que, entre as carnes, a maior média diária no período foi a de frango, de US$ 33,4 milhões, aumento de 23,4% se comparado a setembro de 2011. O volume exportado também cresceu 25,3%, o equivalente a 16,6 mil toneladas. Em contrapartida, o preço médio sofreu redução de 1,5%. Em relação ao acumulado de agosto, as altas foram de 49,5% em receita, 34% em volume e 11,6% em preço médio.



