Preço dos imóveis subiu até 78% em Curitiba
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quarta-feira, 26 de março de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os imóveis residenciais usados tiveram uma valorização média de 73,58% em Curitiba, nos últimos cinco anos. No período de 2006 a 2008 a valorização foi de 32%. Os dados são do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Intespar) que pertence ao Secovi-PR (Sindicato da Habitação). No caso dos imóveis novos a valorização foi maior ainda e chegou a 78,75% entre fevereiro de 2003 e janeiro de 2008, segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estatística Bridi, que presta serviço para o Sinduscon-PR. Entre 2006 e 2008, os imóveis residenciais novos subiram 30,55%.
Em Londrina e Maringá, a pesquisa de oferta de imóveis usados começou a ser realizada em meados de 2004. Entre fevereiro de 2006 e janeiro de 2008, os imóveis residenciais ficaram 19,20% mais caros em Londrina. De acordo com a coordenadora executiva do Inpespar, Bernadete Jede, em Maringá, as imobiliárias pararam de divulgar o preço e a área dos imóveis, o que impossibitou o cálculo da variação acumulada nos últimos anos. Em 2005, o preço médio dos imóveis residenciais usados, em Maringá, teve acréscimo de 20,50% e em 2006 de 13,30%.
Os especialistas na área imobiliária alegam que o aumento dos preços em Curitiba foi provocado por vários fatores. Uma das justificativas foi a diminuição da oferta de lançamentos de 2003 para cá e o aumento da demanda por imóveis novos, o que também acaba movimentando o mercado de usados. Além disso, a redução dos juros, o aumento da oferta de crédito e o alongamento dos prazos para os financiamentos foram os fatores que impulsionaram a alta dos preços.
O professor de Ciências Econômicas e Políticas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Carlos Magno Bittencourt, disse que a vinda de grandes indústrias e fornecedores para Curitiba começou a atrair muitos moradores de outras regiões do Brasil. Além destes fatores, ele destaca que houve melhoria na renda e no poder de compra, prazos maiores para pagar os financiamentos e redução de juros.
Ele destacou que imóveis em alguns bairros como o Ecoville tiveram valorização de 40% nos últimos dois anos. Bittencourt explicou que a formação do preço do metro quadrado para os imóveis novos é baseada nos materiais de construção, na mão-de-obra, valor do terreno e localização. Nos usados, o ponto que mais pesa é a localização. Hoje, a margem de lucro das construtoras gira entre 20% a 25%.
O vice-presidente de lançamentos e comercialização imobiliária do Secovi-PR, Paulo Celles, lembrou que os imóveis com mais demanda são os que custam até R$ 200 mil. Segundo ele, os preços ainda têm espaço para crescer mais.
A procura por imóveis está tão aquecida em Curitiba, que ao consultar sites de imobiliárias, o consumidor encontra grande parte dos apartamentos novos, ainda na planta, com a mensagem de ''totalmente vendido''. De acordo com dados do Sinduscon-PR, em 2007, a área residencial concluída atingiu 835 mil metros quadrados, totalizando 7.621 unidades. Desse total, 30% têm até 50 m2 e 12% entre 51 m2 e 75 m2.
O número de lançamentos cresceu 108% em relação a 2006 e 130% comparado a 2005. Na liderança dos lançamentos está o bairro Cristo Rei, que teve 701 apartamentos lançados em 2007. Na sequência vem o Mossunguê (Ecoville) com 483 apartamentos.
Uma outra tendência em Londrina, Maringá e Curitiba tem sido o lançamento de prédios com serviços de lazer e área verde. Mas, antes de decidir pela compra de um apartamento a pessoa deve verificar o real valor do condomínio e que serviços estão incluídos.
Celles destacou que o terreno chega a representar mais de 30% do valor do imóvel e a localização é fator determinante na valorização. De acordo com ele, quando a pessoa vai comprar um imóvel, precisa verificar as tendências que estão ocorrendo no bairro e na rua que fica a casa, como os serviços que poderão vir para o local, faculdades, colégios, algo que melhore a segurança da região, a criação de um parque, entre outros. Todos estes fatores podem valorizar o imóvel.


