São Paulo - A americana Tyson Foods, maior processadora de carnes do mundo, informou ontem queda de 40% no lucro líquido do primeiro trimestre do ano fiscal, encerrado em 29 de dezembro. A companhia atribuiu o mau desempenho ao aumento dos preços do milho e do farelo de soja. A companhia registrou lucro líquido de US$ 34 milhões, ou US$ 0,10 por ação, 40% menos que os US$ 57 milhões (US$ 0,16/ação) no mesmo período do ano fiscal anterior.
O lucro operacional foi de US$ 84 milhões, ante US$ 145 milhões no primeiro trimestre do ano anterior. O faturamento cresceu 3,2% para US$ 6,77 bilhões no período. Analistas consultados pela Thomson Financial tinham estimado faturamento de US$ 6,88 bilhões. A margem de lucro bruta caiu de 5,1% para 4,5%. ''Levando em conta tudo que enfrentamos, tivemos um primeiro trimestre sólido'', afirmou Richard L. Bond, presidente e CEO da companhia. ''As vendas aumentaram US$ 200 milhões e o segmento de suínos teve um dos melhores trimestres da história'', destacou.
A Tyson admitiu que aumentará seus preços de forma significativa para compensar o aumento dos custos, que têm sido maiores que suas previsões e também considerou que neste ano os preços dos grãos deverão subir ainda mais. ''Por conta da alta extraordinária dos preços do milho e do farelo de soja, não temos escolha senão aumentar nossos preços substancialmente'', disse Bond.
O CEO lembrou que, em novembro, a companhia havia projetado que os grãos gerariam um custo adicional de US$ 300 milhões no ano fiscal 2008. Agora, a Tyson calcula que este valor deve superar os US$ 500 milhões. ''A contínua especulação com os preços dos grãos por conta, em larga medida, da obrigatoriedade do uso de etanol, tem causado um efeito dominó sobre outros custos. Óleos comestíveis, farinha e outros ingredientes para ração estão em alta. No futuro próximo, os consumidores pagarão mais pelos alimentos, especialmente as proteínas'', afirmou Bond.
As vendas em dólar do segmento frango (31% das vendas líquidas) cresceram 6,8%, enquanto o volume caiu 8%. O lucro operacional recuou 52% por conta do aumento dos custos da ração, composta basicamente por grãos. O segmento suíno teve aumento de 1% no valor das vendas e 6,7% no volume.
As vendas do segmento bovino (46,5% das vendas líquidas) cresceram 2,8% em valor e o volume caiu 2,3%. A companhia observou que o segmento continua a enfrentar dificuldades por conta da superoferta no mercado americano e a fraca demanda de exportação pela carne dos Estados Unidos. Por conta deste cenário, a Tyson fechou um frigorífico em Emporia, Kansas, de onde demitiu 1.500 funcionários.
No final do ano passado, a Tyson informou ter assinado um acordo de intenções para comprar uma companhia de médio porte no Brasil, mas não informou o nome da empresa. Segundo fontes de mercado, a negociação em andamento seria com a Pena Branca, empresa do interior paulista que abate cerca de 280 mil aves por dia, das quais 60% são exportadas.

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