Menos aduboSe confirmada, alta do preço pode reduzir uso de fertilizantes na próxima safra SÃO PAULO - Os preços dos fertilizantes deverão subir pelo menos 15% no mercado interno, de acordo com a Ocepar. A alta é reflexo da medida provisória (MP) 1.569 que o governo adotou para restringir as importações. Somada a isso, há ainda a elevação do imposto de importação de 2% para 6% sobre fosfatados e nitrogenados, uma vez que a quota de importação a 2% já foi preenchida pelos grandes produtores e importadores de fertilizantes. O aumento do imposto de importação para 23,6% sobre os fertilizantes da Rússia, uma medida antidumping obtida judicialmente pela Fosfértil, também contribuirá para o aumento dos preços dos fertilizantes, de acordo com o gerente técnico da Ocepar, Nelson Costa.
Pela MP 1.569, os importadores têm de pagar à vista pelas compras com prazo de financiamento menor que 360 dias, o que deve encarecer em 5% a 6% o preço final da matéria-prima. As pequenas empresas do setor de fertilizantes serão as mais afetadas pelas três medidas, segundo Costa, pois utilizam quase que exclusivamente matéria-prima importada.
Elas estão tendo de pagar as dívidas que estão vencendo, mas não têm recursos, pois seu fluxo de caixa estava calcado nas importações com prazo de mais 180 dias, de acordo com Costa. Elas também não têm recursos para pagar à vista as novas aquisições. A indústria nacional de fertilizantes importa anualmente cerca de US$ 1,2 bilhão em matérias-primas.
Segundo documento apresentado pela Ocepar ao Ministério da Agricultura na última terça-feira, a alta dos preços dos fertilizantes ‘‘representará perda de competitividade ao produto nacional nos mercados externos e perda de renda imediata para os agricultores que estão recompondo sua capacidade de produção’’. De acordo com relatório diário da Bozano, Simonsen sobre empresas brasileiras divulgado ontem, ‘‘companhias como a Fosfértil, que têm sólida situação financeira, não deverão sofrer’’ por causa das medidas que restringem as importações. O relatório afirma que é possível que a Fosfértil ‘‘até mesmo se beneficie delas, uma vez que estes produtos seriam mais protegidos nos mercados domésticos do que antes das restrições’’.
Na avaliação do gerente da Ocepar, Nelson Costa, as grandes empresas têm poder de conseguir financiamentos internacionais com melhores prazos, por isso levam vantagem em relação às pequenas. De acordo com Costa, na reunião no Ministério da Agricultura na terça-feira foram acertadas medidas para evitar que o setor sofra com a falta de adubos, como a liberação de recursos das exigibilidades bancárias, num montante de até US$ 500 milhões com prazo de 90 a 120 dias de financiamento não renovável e a flexibilização da chamada ‘‘63 caipira’’, permitindo que os financiamentos tomados pelas indústrias de fertilizantes sejam desdobrados para os clientes.
Ações têm alta As ações das companhias Serrana, Copas e IAP registraram altas expressivas ontem na Bovespa. As ações da Copas subiram 17,75% para R$ 235,00, as da Serrana, 5,88% para R$ 0,54 e as da IAP, 9% para R$ 10,90.
A perspectiva de um incremento de 5% nas vendas do setor em 97 é o motivo do grande interesse dos investidores no setor, avalia Nelson Costa, da Ocepar. No ano passado, as vendas de fertilizantes totalizaram 12,48 milhões de toneladas, segundo a organização e se o aumento se confirmar, devem chegar a 12,86 milhões de toneladas este ano.

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