São Paulo - Os carros ficam mais caros na segunda-feira, com o fim do incentivo da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos populares e médios. As montadoras devem repassar para as tabelas os 3 pontos porcentuais da alíquota, reduzida desde agosto. Só as revendas preparam promoções para o fim de semana. Pelo menos uma montadora, a GM, ainda tenta junto ao governo a manutenção do incentivo, mas só para modelos bicombustíveis.
Alguns lojistas acreditam que as empresas possam aplicar reajustes superiores aos 3 pontos para compensar também a alteração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Em janeiro, os veículos foram reajustados entre 3% e 5%, em média, e este mês em 2%, nos dois casos para repassar custos.
O consumidor procura escapar do aumento. Até o dia 25, o volume de licenciamentos aumentou 15,3% na comparação com igual período de janeiro, um mês muito fraco para o setor. Foram emplacados 85 mil automóveis e comerciais leves. Em relação a fevereiro de 2003 a queda foi de mais de 20%.
A tentativa da GM de favorecer os carros flexíveis (usam gasolina ou álcool) provocou racha na Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Na semana passada, a entidade enviou carta aos ministros Antônio Palocci (Fazenda), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e Roberto Rodrigues (Agricultura) informando ser contrária à medida. Hoje, só GM, Volks e Fiat têm carros com motores flexíveis. A Anfavea acha inoportuno reivindicar o benefício especial.
O vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro Neto, que está em Brasília desde ontem discutindo o assunto com representantes do governo, disse que o teor do documento é absurdo. ''É a primeira vez que vejo a Anfavea questionar a redução de impostos e os benefícios do álcool.''

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