Preço dos alimentos tem a maior alta em 4 anos
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segunda-feira, 09 de junho de 2008
Alessandra Saraivae Flavio Leonel<br>Agência Estado 
São Paulo - O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) fechou a semana terminada em 7 de junho em alta de 1,12%, enquanto que na semana anterior o índice havia subido 0,87%. ''O IPC-S continua em um nível bastante elevado'', disse o coordenador nacional do índice da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Picchetti. ''Os motivos são os mesmos, com os alimentos puxando a inflação e, por conta da volatilidade, impedindo uma avaliação precisa relacionada às projeções. Atualmente, tentar fazer qualquer estimativa sobre o comportamento do índice é um exercício de futurologia'', disse.
A taxa ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que esperavam um resultado entre 0,91% e 1,18%, e ficou abaixo da mediana das expectativas (1,14%). Este foi o maior resultado para o índice desde a primeira semana de fevereiro de 2004, quando o IPC-S subiu 1,22%.
Segundo a FGV, a principal contribuição para o avanço da taxa do indicador partiu da forte aceleração de preços do grupo alimentação (de 2,33% para 2,98%). Esse setor foi pressionado por elevações de preços mais intensas de produtos como arroz branco (16,95% para 18,44%), feijão preto (1,90% para 4,45%), açúcar refinado (1,10% para 4,82%), aves e ovos (1,68% para 2,61%), carnes bovinas (3,97% para 4,97%), batata-inglesa (20,20%) e pão francês (6,20%).
Segundo ele, só a alta dos preços de hortaliças e legumes (12,49%), carne bovina, arroz e feijão, além dos segmentos de panificados e biscoitos (4,77%) e massas e farinhas (4,02%) respondeu por 0,79 ponto porcentual de toda a inflação de 1,12%.
Das sete classes de despesa usadas para cálculo do índice, cinco apresentaram elevação de preços mais intensa, ou deflação mais fraca na passagem do IPC-S de até 31 de maio para o índice de até 7 de junho. Além de alimentação, é o caso de habitação (de 0,18% para 0,36%); vestuário (de 0,37% para 0,46%); educação, leitura e recreação (de 0,34% para 0,44%); e despesas diversas (de -0,08% para -0,02%).
As outras duas classes de despesas apresentaram desaceleração de preços. É o caso de Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,81% para 0,73%); Transportes (de 0,21% para 0,17%).
Por sua vez, as taxas de negativas de preço mais expressivas estão sendo registradas em itens que compões os setores de alimentos e de tarifas. A tarifa de eletricidade residencial, por exemplo, apresentou deflação de 0,52%; Mamão da amazônia - papaya (-27,64%) e laranja pêra (-9,77%) também tiveram deflações, apesar de o grupo alimentação continuar pressionando a inflação.
Habitação
Além dos preços dos alimentos, Picchetti destacou a inflação no grupo habitação, que se acelerou de uma alta de 0,18% para 0,36% entre o final de maio e o começo de junho. Nesta classe de despesa, os maiores impactos resultaram dos avanços registrados nas taxas do gás de bujão (2,19%) e da taxa de água e esgoto residencial (0,34%), além da queda menor, de 0,52%, no item tarifa de eletricidade residencial. ''São itens que ainda estão em segundo plano, se comparados aos alimentos, mas que também podem gerar um impacto maior da inflação'', avaliou.


